Ações

Ĩbipúpura

De Atlas Digital da América Lusa

Coleção Levy Pereira


Ĩbipúpura

Engenho d'água com igreja na m.e. do rio 'Capiíbarĩ' (Rio Capibaribe).


Natureza: povoação.


Mapa: PRÆFECTURÆ PARANAMBUCÆ PARS BOREALIS, una cum PRÆFECTURA de ITÂMARACÂ.


Capitania: PARANAMBVCA.


Jurisdição do engenho: Cidade de Olinda, Freguesia da Várzea.


Nomes históricos: Engenho Ibipupurá (Ĩbipúpura; Ibipupura); Engenho Apipucos (Apipupos; Abbacuquí; Abacoúqús); Engenho de Gaspar de Mendonça; Engenho Nossa Senhora da Madre de Deus.


Nome atual: o engenho está destruído e sua área reocupada - sobrevive sua capela, no atual bairro de Apipucos, na cidade do Recife-PE.

  • Nota: esse topônimo no BQPPB está com o símbolo de povoação (Povação --- Pagus vel vicus.), o que se considera possível erro de símbolo nesse mapa, pois na pesquisa só encontrou-se, no período 1630 - 1660, referências somente ao engenho.


Citações:

►Mapa PE-C (IAHGP-Vingboons, 1640) #40 CAPITANIA DE PHARNAMBOCQVE, plotado com o símbolo de engenho, 'Ԑ Abbacuquí', na m.e. do 'Capauiriuÿ' (Rio Capibaribe).


►Mapa IT (IAHGP-Vingboons, 1640) #43 CAPITANIA DE I. TAMARICA, plotado como engenho, 'Ԑ Abbacuqui', na m.e. do 'Capauiriuÿ' (Rio Capibaribe).


►Mapa Y-41 (4.VEL Y, 1643-1649) De Cust van Brazil tusschen Cabo St. Augustijn ende hoeck van Pommarel, plotada com símbolo de povoação, 'Abacoúqús', na m.e. do 'Rº: ∂e Avoga∂os:'.


►Mapa PE (Orazi, 1698) PROVINCIA DI PERNAMBVCO, plotado como engenho, 'Ibipupura.', na m.e. do 'Capiibari'.


(Nassau-Siegen; Dussen; Keullen - 1638), pg. 87:

"Cidade de Olinda

Freguesia da Várzea

57. Engenho de Gaspar de Mendonça, presente; é d' água, mas não mói. ".


(Dussen, 1640), pg. 153:

"ENGENHOS DE PERNAMBUCO

Na freguesia da Várzea

61) Engenho Apipupos, pertencente a Gaspar de Mendonça, é engenho d'água e mói. São lavradores: (não indica) . ".


(Relação dos Engenhos, 1655), pg. 237, informando a pensão que este engenho pagava à capitania de Pernambuco:

"Engenhos da freguesia da Várzea do Capibaribe

...

- E o de Gaspar de Mendonça, dos Apipucos, a quatro por cento.".


(Melo, 1931):

- pg. 179:

"APIPUCOS — (Arrabalde da cidade do Recife) — Corr. de apé-puc, o caminho se divide ou se parte; a encruzilhada; pode ser também corrupção de apé-puçú, caminho ou vereda longa". (Th. S., 111) — A. C.

Na 3ª edição d'O Tupi na Geografia nacional, Th. Sampaio dá mais as seguintes interpretações: a-pipuc, o tropel de gente; a-pi-puc, a fruta de casca rachada, a pinha. —M.M.".

- pg. 199:

"IBIPUPURA — (Ant. eng. no Mun. do Recife) — Corr. ibir-popúr, terra fértil — A. C.".

  • Nota: considera-se mais apropriada a interpretação de A.C. - Alfredo de Carvalho - para APIPUCOS, face à circunstância de que o caminho colonial, na direção do Recife, nesse engenho, se dividia em dois, um para o Engenho São Pantaleão e o outro diretamente para o 'Arrayal' (Arraial Velho do Bom Jesus).


(Pereira da Costa, 1951):

@ Volume 2, ano 1593, pg. 51:

"Neste ano já estava levantado o engenho de Apipucos, e pertencia ao colono Leonardo Pereira, como consta dos autos de uma questão que houve entre este e o proprietário do vizinho engenho de S. Pantaleão do Monteiro, sobre os limites extremos das duas propriedades.

Em sua origem, as terras de Apipucos faziam parte do engenho Monteiro, como consta de uma escritura de venda do mesmo engenho, lavrada na vila de Olinda em 5 de dezembro de 1577, em que se declara que as ditas terras, situadas na Várzea do Capibaribe. estavam dadas de partido ao colono André Gonçalves, com os seus canaviais e matas e que fazendo ele a moagem das canas de sua cultura no engenho do Monteiro, ficava assim o comprador com a obrigação de fazer a da safra de Apipucos daquele ano somente, ficando, naturalmente, as que se seguissem, mediante particular contrato a respeito com o novo senhorio.

Em face da referida escritura, vê-se que já então, estavam povoadas e cultivadas as terras de Apipucos; e que posteriormente desmembradas daquela propriedade, fundou, talvez o referido André Gonçalves, um engenho que tomou o nome da localidade, em época desconhecida, mas que existia já em 1593, como vimos. Depois passou a sua propriedade a D. Jerônima de Almeida, e desta a Gaspar de Mendonça, que a mantinha já em 1630.".

@ Volume 10, Ano 1846, pg. 351:

"Apipucos — Sob a invocação de N.S. das Dores, da sua capela, ainda existente se bem que remodelada, pertencia em 1637 a Gaspar de Mendonça, era de animais e estava então de fogo morto. A fundação deste engenho vinha de 1593, como encontramos.".


(Cabral de Mello, 2012):

@ pg. 66, Os engenhos de açúcar do Brasil Holandês, I - Capitania de Pernambuco, Várzea do Capíbaribe:

«12) APIPUCOS. Invocação Nossa Senhora da Madre de Deus. Sito à margem esquerda do Capibaribe. Engenho d'água. Pagava 4% de pensão. Suas terras faziam parte originalmente do engenho São Pantaleão, nelas existindo em 1577 um partido de cana de André Gonçalves. Em 1593, a fábrica já funcionava, pertencendo a Leonardo Pereira, casado com Brásia Pinta, processada pela Inquisição por práticas judaizantes; em 1609, a d. Jerônimo de Almeida, ex-governador de Angola (1593-4), então residente em Olinda; e em 1623 a Gaspar de Mendonça, que aí produzia 2380 arrobas. Em 1634, a tropa holandesa atacou o engenho, que saqueou "à vontade [...] obtendo grandes despojos e aprisionando o senhor de engenho e alguns da sua família". Gaspar permaneceu sob o domínio holandês. Em 1637, o engenho não moía, devendo fazê-lo na safra de 1639. Já então havia povoação homônima ao lado do engenho, contando com mais de trinta fogos. Em 1645, ao iniciar-se a insurreição luso-brasileira, o Apipucos foi novamente saqueado pela tropa batava, que tomou "todo o seu gado de cabras, carneiros e porcos e alguns bois, e os cavalos dos moradores e escravos". Moente em 1655. Em 1645 e 1663, Gaspar devia 865 florins à WIC. Em 1664-7, pertencia a seus filhos.(12)».

@ pg. 175, Notas:

«(12) DP, pp. 428-33; CP, pp. 142-3; IL, 9430; RPFB, p. 204; FHBH, I, pp. 28, 87, 153, 237; RCCB, pp. 47, 152; VWIC, IV, p. 91; DN, 23.VI.l639, 3.X.164O, 5.III.1641; VL, I, pp. 39, 264, 327, 340-1, 344, II, pp. 35, 53, 106; NP, I, pp. 226; Pereira da Costa, "Origens históricas", p. 328; Olímpio Costa Júnior, "O Recife, o Capibaribe e os antigos engenhos", Revista do Norte (Recife), série III, n. 2 (1944); Gonsalves de Mello, "A finta para o casamento", pp. 26, 48.».






Citação deste verbete
Autor do verbete: Levy Pereira
Como citar: PEREIRA, Levy. "Ĩbipúpura". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/atlas/%C4%A8bip%C3%BApura. Data de acesso: 14 de dezembro de 2019.


Baixe a referência bibliográfica deste verbete usando

BiblioAtlas recomenda o ZOTERO

(clique aqui para saber mais)



Informar erro nesta página