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Abiaĩ (rio)

De Atlas Digital da América Lusa

Coleção Levy Pereira


Abiaĩ

Rio na Paraíba com barra no Oceano.


Natureza: rio; barra de rio.


Mapa: PRÆFECTURÆ DE PARAIBA, ET RIO GRANDE.


Capitania: PARAIBA.


Nomes históricos: Abiaĩ (Abiá, Abiaí, Abĩaĩ, Avaÿa, Aviiajá; Auraÿ, Auíjaýa, Auiaí; Auyay; Abionabiajá).


Nome atual: Rio (Barra do) Abiaí, na Praia Abiaí, município de Pitimbú-PB.

A barra sul é a BARRA DE BAIXO, a do norte, a BARRA DE CIMA.


Notas:

1) Nos mapas modernos, o rio tem o nome de Abiaí no seu baixo curso, entre a Lagoa até a foz no Atlântico. A lagoa hoje está bastante reduzida, e no sul, onde é alimentada pelo rio Camocim, está drenada por canais.

Coriolano de Medeiros informa que esse nome é dado ao rio a jusante da confluência do Cupissura com o Popoca.

Vide mapa IBGE Geocódigo 2511905 Pitimbu-PB.

2) O BQPPB nomeia o rio entre a lagoa "Abĩaĩ" e o oceano de "Cunuçĩ", nome que parece ser curruptela da palavra Camucim, que deveria ser escrita "Camuçĩ", e que é o nome do rio vindo do sul, banha o engenho "Itaobĩ" (Engenho Tabu), um dos formadores da Lagoa Abiaí.

Citações:

►Mapa IT (Albernaz, 1626/1627), plotado como rio 'Auíjaýa', foz no Oceano.

Ao norte desse rio, estão plotados com foz no Oceano o 'Rio Taperobu' e o 'Rio Trecanhae', algo impreciso. Ao sul, está plotado o 'Porto dos francezes', posição correta.

►Mapa IT (IAHGP-Vingboons, 1640) #43 CAPITANIA DE I. TAMARICA - o rio está plotado como 'Rº. Auraÿ', e a lagoa está desenhada, 'Alagoa Auiaÿ'.

►Mapa PB (IAHGP-Vingboons, 1640) #49 CAPITANIA DE PARAYBA, o rio está plotado como "R. Auraÿ", e a lagoa está desenhada, sem nome.

►Mapa Y-45 (4.VEL Y, 1643-1649) De Cust van Brazil tusschen Ponto Pommarel ende Cabo Blancko, o rio está plotado como "Rº Avaÿa", e a lagoa está desenhada, sem nome.

Neste mapa há uma aldeia nominada "A Avaÿa", Aldeia Abiá, ou Abiaí, que é a aldeia denominada "Vrutaguĩ" no BQPPB e "Ortagwy" no PB (IAHGP-Vingboons, 1640) e em outros documentos neerlandeses como Butagui, Urutagui,, Uritagui, hoje na área urbana de Alhadra-PB - essa aldeia localiza-se na m.e. do rio Popocas ("Ipopóca", "Ipapoca", "Ĩbopóca" no BQPPB).

►Mapa IT (Orazi, 1698) PROVINCIA DI ITAMARACÁ, o rio está plotado como 'R. Auraÿ', e a lagoa está desenhada, 'Alagoa Auiaÿ'.

►Mapa PB (Orazi, 1698) PROVINCIA DI PARAIBA, o rio está plotado como 'Rº. Auraÿ', e a lagoa não está desenhada.

(Sousa, 1587), pg. 55:

"Do rio de Jagoaripe ... . Deste rio ao da Abionabiajá são duas léguas, cuja terra é alagadiça quase toda, e entre um rio e outro ancoravam nos tempos passados naus francesas, e daqui entravam para dentro. Deste rio ao da Capivarimirim são seis léguas, o qual está em altura de seis graus e meio, cuja terra é toda chã.".

(Herckmans, 1639) RIAHGP, pg. 260, o denomina Popoca:

"O rio Taperobú separa a Capitania da Paraíba da de Goiana; para baixo confunde-se com o rio Popoca. Não é povoado, posto que aí se encontre terra boa para se plantar a mandioca e fazer farinha.

...

Este rio desemboca no mar, e já então não se chama mais Taperobú, e sim Popoca; não fica longe daí o porto Frances, o qual é o primeiro onde os franceses foram fazer o seu tráfico com os Pitiguares ou naturais da terra.".

(Moreno, 1615), pg. 43-44, citado como 'rio Aviiajá':

"O governador, vendo esta última petição, mandou se tomasse mais uma caravela e um *patacho francês, também navios *mancos e não mui capazes, donde se puseram dous *falconetes de bronze que estavam em dous dos *caravelões da farinha. Com isto feito, em 21 de agosto estando todos embarcados, mandou o governador descer a armada para baixo, a saber, dous navios redondos, uma caravela, e cinco *caravelões com até 100 homens de mar e guerra, que, com os que esperavam nos *presídios, faziam número de até 300 portugueses. E esta foi a armada milagrosa com que saiu o sargento-mor do Estado, Diogo de Campos Moreno, à Conquista do Maranhão, aos 23 de agosto de 1614, sábado, às 7 horas da manhã, a se *ajuntar no Rio Grande com Jerônimo de Albuquerque, seu colega, capitão da dita Conquista.

Este dia veio a armada a surgir no porto dos franceses, defronte do rio Aviiajá, na Capitania de Itamaracá.

Deste porto, em 24 do dito, partiu a armada com bom vento terral, e correndo a costa veio a surgir à baía da Traição, ...".

(Nieuhof, 1682), pg. 78:

"Para além do rio Goiana, a mais ou menos três milhas e meia de distância, há um grande rio chamado Auiaí (126), cuja foz é de tal forma obstruída por bancos de areia que apenas permite a passagem de embarcações pequenas. Recebe esse rio vários afluentes, no interior. À margem de um deles assenta-se a aldeia de Maurício, na de outro, a de Auiaí.

O Porto Francisco está situado numa enseada de três grandes milhas de comprimento ao norte do rio Auiaí. Cinco milhas a noroeste do mesmo rio encontra-se o Gramame, não navegável, além de vários outros riachos.".

Nota de José Honório Rodrigues:

"(126) O tradutor inglês escreveu duas léguas e meia (p. 26, l.a col., 3 o §). — Nieuhof escreveu Auyay (p. 37, 2.a col., 8.° §). Terá relação com o Ay, primitivo nome da foz do rio Iguarassú? (Cf. Alfredo de Carvalho, XXV, 12-13).".

  • Nota: Não há relação entre Ay, nome primitivo do Rio Igarassu com o topônimo 'Auyai' (Rio Abiai).

(Câmara Cascudo, 1956), pg. 218:

"O rio Abiai desagua numa enseada cujas saliências são o Porto do Francês e o Itatendioba (Tamatauba). O Abiai (Abiai) desce de lagoa onde caem os rios Tupinalba (Tupinaba?), Nhumajaí, Çobauma (Sumaúna), Carapoi, (Carapeba), Iaguarema (Jussuarema, afluente, com o Carapeba, do Sumaúna), Ipopoca (Alhandra), com dois afluentes, o Taperobi pela esquerda, e o Camaçarimiri pela direita, o Capiçura (Capissura) e, abaixo, o Itaobi. Entre o Itaobi e o rio Goiana ficam Nossa Senhora do Rosário e, na curva meridional do Abiai, a "Igreja noua", Igreja Nova. ".

(Coriolano de Medeiros, 1950), pg. 4:

"Abiá (Voc. ind. contração de i-obin-abiá: rio verde de mau cheiro) — Rio ao sul do município da Capital, lançando-se no Atlântico, segundo Vital de Oliveira, aos 70-2l'-21" de lat. S. e 8°-20'-29" long. E. do Rio de Janeiro. Nasce no distrito de Pedras de Fogo com o nome Popoca ou Ipopoca; banha o distrito de Alhandra e, pouco abaixo da vila, recebe o Cupiçura, tendo dai em diante o nome Abiá. Os seus tributários da margem esquerda são: os riachos Ambuá, Garapu, Jundiaí, Pacas e Sumaúna; na margem direita despejam os riachos Acapé, Camaçari, Juçuarema e Tamataúba, todos permanentes. Tem, aproximadamente, 50 quilômetros de curso e corre de O. a E. Por pequenos barcos é navegável 20 quilômetros acima de sua foz. A barra é má, devido à arrebentação das vagas e por estar quase obstruída pelos bancos de areia. Quando a Paraíba se desligou da capitania de Itamaracá, serviu este rio de limite sul com a referida capitania. O rio é muito piscoso. Saint-Hilaire o considerou lago, opinião que se justifica, pois suas nascenças, ao S., são extensas e paludosas lagoas. ...".

Abiaí — Nome moderno dado à propriedade Abiá, quando o seu dono, Silvino Elvídio Carneiro da Cunha, foi, pelo governo monárquico, distinguido com o titulo de barão.".

Citação deste verbete

Autor do verbete: Levy Pereira

Como citar:PEREIRA, Levy. "Abiaĩ (rio)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/atlas/Abia%C4%A9_(rio). Data de acesso: 27 de janeiro de 2021.



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