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ITAPVÁMA

De Atlas Digital da América Lusa

Coleção Levy Pereira


ITAPVÁMA

Região envolvida por serras, na m.e. do 'Potiiĩpeba ou Rio de Vazarbarries' (Rio Vaza Barris), e cabeceiras do'Ipoxigaucû' (Rio Poxim) e 'Iacaréaçica' (Rio Jacarecica).


Natureza: região.


Mapa: PRÆFECTURA DE CIRÎÎĬ, vel SEREGIPPE DEL REY cum Itâpuáma.


Capitania: CIRÎÎĬ.


Nomes históricos: Itapváma; Itapuama; tabanha; TapԐiana.


Nome atual: região de Itabaiana-SE.


Toponímia:

►(Guaraná, 1916), pg. 309:

"ITABAIANA — Serra. Cidade. Comarca, Itá — pedra; taba — aldeia; oane —alguém: naquela pedra mora alguém, há uma aldeia com gente.

ITAPUAMA — Nome de Itabaiana segundo Barleus. Itá, poã — levantar: pedra erguida, em pé.".

Citações

►Mapa SE (Albernaz, 1626/1627) SIRIGIPE DEL REI, plotada, assinalada com a letra E, 'E - as campinas de tabanha de infinito gado', e a letra F, 'F - as serras de tabanha', nas cabeceiras do 'Rio Sirigipe del Rey' (Rio Sergipe) e 'Rio de Vazabaris' (Rio Vaza Barris).

►Mapa BA (IAHGP-Vingboons, 1640) #36 CAPITANIA DO BAHIA DE TODOS SANCTOS, plotada, desenhada como serra, 'TapԐiana.', ao norte do 'R. RԐall' (Rio Real) e a oeste do 'R S' e 'R Sergippe' (Rio Sergipe).

(Moreno, 1612), pg. 50:

"Ao pé de duas serras que se chamam Itabaiana ao longo do mesmo Rio serigipe afirmam os moradores daquela capitania ouvirem que, em certos tempos há estrondos de grossas peças de artilharia lá no íntimo das terras pelo que se presume que deve de ter algum vulcão mas até hoje não hão sido penetradas de pessoa alguma, porque os naturais fogem de entrarem lá.

No Rio de Saõ Miguel, que se vê na dita carta no ponto E vive o Caramarú que é o que assegura haver muita prata naquelas serras do ponto F, donde desce o mesmo Rio que se chama Real pelo muito que se alarga naquela parte, sendo pouco o que vai pela terra dentro.".

  • Notas:

a) O Caramaru é, conforme abaixo citado por Câmara Cascudo, Belchior Dias Moreia, neto do Caramuru.

b) A citação do "Rio de São Miguel, que se ve no ponto E" no Mapa SE (Albernaz, 1612) pode ser indício de que o Rio de São Miguel seja o mesmo o 'R. dos pedras' do BQPPB, atual Rio das Traíras, todavia, há, na m.e. do 'Rio Reall', nesse mesmo mapa, indicado pela letra L, 'L - fazendas do Caramaru perto das serras da prata', o que pode dar margem a outra interpretação.

(Nieuhof, 1682), pg. 36:

"Dentro desta Capitania existe uma montanha denominada Itabaiana onde se encontraram várias peças de metal precioso que, remetidas ao Conselho dos XIX, e, devidamente examinadas, provaram ser de pouco valor.".

(Câmara Cascudo, 1956):

@ pg. 132-133, comentando a marcha do povoamento do Sergipe colonial e a atração do sonho pelas minas de prata:

"A marcha era de leste para oeste.

Na sedução fora a bandeira-da-prata, com o mistério das minas de Belchior Dias Moreia, neto do Caramuru, endoidando várias gerações. ... O círculo se fechava na serra da Itabaiana. Nessa região poder-se-ia dizer que residia. Barléu chamou-a Itaberaba, a pedra luminosa. Aí, com o governador, procurou as fontes da prata, não as apontando por não ter recebido os títulos exigidos e prometidos pelo Rei. ...

A Casa da Torre seguiu, esse sonho, no rumo de Itabaiana, com Guilherme Joosten Glimmer. E para aí voltaram, em 1655, os manos Calhelhas. No governo holandês rebuscaram-na curiosidades interesseiras e autorizadas pelo Supremo Conselho. Essas caçadas eram, inesperadamente, alargamentos para a fronteira geográfica. Barléu registra, convencional, essa Itaberaba onde as pratas deviam estar dormindo. E não sendo possível localizar, escreveu, difusamente, minas, minas ...

Para o rumo do município de Anápolis, antigo Simão Dias, dizem ter sido esse, vaqueiro de Braz Rabelo, que deixando Itabaiana se internara pelo Caissá, levando gadaria, fugindo aos holandeses preadores. ...

Para o conhecimento batavo, a curva cordilheira de Itaberaba é limite. Limite mesmo para a posse e para a ambição.".

@ pg. 143-144:

"Os caminhos partem de S. Cristóvão em várias direções. Para Santa Maria, para S. Gonçalo, para Sirigi del Rei. Sobem até margens do Vasa-Barris. Um, passando por Piranupama (Piramopama) atravessa o Icaperangu, indo acima. Um ramal atinge Ipitanga e Taperagoa, povoações. Eleva-se, indo pelas encostas da região serrana, a Itabaiana, a Itapuama de Barléu, pelo Ipoxiguaçu, antes do Cajuibuçu, entrando pela cordilheira. Subia uma estrada até Migueba (Miaba), limite do avanço norte, no rumo baiano. Casas, currais, plantações são acusados pelos desenhos quadrangulares ou fingindo morada.

O outro braço se atira, quase em reta, calcando o varjão, passando rios, até Simão Dias, onde há variante para Sant'Antônio. Aqui, pela existência do topônimo em mapa holandês, convinha tornar mais antiga a ida do vaqueiro Simão Dias para Itabaiana onde daria nome aos matos. Explicar essa héjira pela pressão flamenga não me parece lógico. Daí, pelo Tapuruçu, entre Moiubama, varando o boqueirão e voltando a rearticular-se, depois de estirão em terra branca de topônimos e cortada pelo Jacarecica, com a estrada, que de Sirigi del Rei, ...".

@ pg. 145-146:

"Entre o S. Francisco e o atual Japaranduba nenhum vestígio de comunicação, afora pelas cabeceiras. Entre o S. Francisco e as Serras de Itapuama ou Itabaiana, desertão ...

...

As serras quase se juntam todas num enovelado que Barléu regista: — Itapuama. Os mapas atuais dizem "Itabaiana" (30) e decepam quatro quintos da extensão. Postas num cone imenso, cuja base se volta para o sul, têm o primeiro olhar. As outras elevações, quando existem,, vêm encadeadas.

...

O Rio das Pedras, afluente maior para a corografia flamenga, inflete-se para leste, transpondo um boqueiaró (boqueirão), dividindo-se após em caudais. Uma que sobe atravessando o varjão onde os holandeses acreditavam existir minérios preciosos e onde diziam jazer ouro e salitre. É a zona indicada pêlo sonho de Belchior Dias Moreia, as minas de prata.

Barléu anotou, cuidadoso, mina, mina. Aí, era 1643, andou catando, por ordem da Companhia, o oficial Niemeyer, numa afanosa jornada inutilíssima.

Essa caudal passa outra cordilheira, espalhando afluentes. O primeiro banha currais, marcados pelos quadrângulos. O segundo se estira numa várzea deserta. O terceiro, maior, vencendo toda planície, morre em quatro riachos formadores, ao pé doutras serras, desenhadas nas extremas do mapa. Um sub-afluente desse terceiro rio desce, para o sul, rodeando habitações e caminho trilhado.

Os afluentes da esquerda do Rio das Pedras, estão apenas curtamente indicados no curso. O primeiro, logo a sair do boqueirão, ganha declividade e se subdivide em correntes que parecem surgir da serrania. O segundo afluente da esquerda, adiante separado, toma em seu sub-tributário esquerdo, o nome de Rio da Iataboca (Taboca), e nasce na serra Itapuámucú. O outro, sub-afluente da direita, vem ter cabeceira na mesma serra mas não mereceu as honras do batismo.

(30) Ver MEMÓRIA SOBRE A SERRA DE ITABAYANA, de Luís José da Costa Filho, Revista do Inst. Hist. Brasil, 1° volume dedicado ao Congresso de História Nacional, 811, Rio de Janeiro, 1915. A serra dista do mar 79 quilômetros.".

@ pg. 147:

"O Iacareacica (Jacarecica) alcança, depois de comprido curso em região desabitada e nua de vegetação cuidada, a cordilheira de Itapuama (Itabaiana) por Itapuamoinha, varando o boqueirão, abrindo-se em quatro rios afluentes: o rio do Pinheiro, curto, com curral de gado, o rio Salobre (Salobro, tributário direto do Sergipe), um enigmático RdEtor (do Heitor? do Sal) ? e o Jacarecica propriamente dito, cujas nascentes demoravam, por três correntes, numa garganta a leste. Entre o RdEtor e o Jacarecica, depois da divisão, fica a povoação de Sant'Antônio.

...

O Ipoxiguaçu, último tributário da direita, é o atual Poxim. Como o Ipoxiguaçu, vai ter aos primeiros contrafortes da Itapuama. Um ramo fluvial se some por um boqueirão. Adiante, com o Cajuibuçu alcança a serrania, na porção média exterior, findando em dois riachos formadores. ".

@ pg. 149:

"Com a fabulosa Itapuama (Itabaiana) o mapa atinge sua máxima a oeste. São uns possíveis oitenta quilômetros distantes do Mar, e já nevoentos, embaraçados, confusos.".






Citação deste verbete
Autor do verbete: Levy Pereira
Como citar: PEREIRA, Levy. "ITAPVÁMA". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/atlas/ITAPV%C3%81MA. Data de acesso: 13 de outubro de 2019.


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