Ações

Iaguarĩ (engenho)

De Atlas Digital da América Lusa

Coleção Levy Pereira


Iaguarĩ

Engenho d'água com igreja, na m.d. do 'Iaguarĩ Vulgo Maria Farinha' (Rio do Barro Branco).


Natureza: engenho d'água com igreja.


Mapa: PRÆFECTURÆ PARANAMBUCÆ PARS BOREALIS, una cum PRÆFECTURA de ITÂMARACÂ.


Capitania: PARANAMBVCA.


Jurisdição: freguesia da Cidade de Olinda (ou Igarassu, dependendo da fonte).


Nomes históricos: Engenho Jaguaribe (Iaguarĩ, JԐguriby, Jaguarabe; Jegoaribi; Jeguaribi).


Nome atual: ...


Comentários:

  • Possivelmente citado em duplicidade no relatório (Dussen, 1640), pois só há no BQPPB um engenho no vale do 'Iaguarĩ';
  • Henry Koster arrendou esse engenho em 1812 - vide Pereira da Costa, abaixo..


Citações:

►Mapa IT (IAHGP-Vingboons, 1640) #43 CAPITANIA DE I. TAMARICA - plotado como engenho, 'Ԑ: JԐguriby', na m.d. do 'R. JԐguaribԐ' ('Rº. Maria ƒarajnha.' na barra no oceano).


►Mapa IT (Orazi, 1698) PROVINCIA DI ITAMARACÁ, plotado sem símbolo, 'Ieguanti', na m.d. do 'R. Ieguaribÿ' ('R. Maria Farina', na barra).


(Nassau-Siegen; Dussen; Keullen - 1638), pg. 88:

"Engenhos em Paratibe, freguesia da Cidade de Olinda

67. Engenho de Francisco Mendes Flores, possuído por sua mulher Jerônima Cabral. Está arrendado a Antônio da Rocha Bezerra. É d'água e mói. ".


(Dussen, 1640):

@ pg. 155

"Na freguesia São Lourenço

...

78) Engenho de Francisco Mendes Flores, é engenho d'água, arrendado por Antônio da Rocha Bezerra; está situado em Jaguaribe e mói. São lavradores: (não indica).".

@ pg. 156-157:

"Na jurisdição de Igarassu

Na jurisdição de Igarassu há os seguintes engenhos e lavradores, moendo na forma abaixo:

...

85) Engenho Jaguarabe, pertencente à viúva de Jerônimo Crabel, é engenho d'água e mói. São lavradores: (não indica). ".

  • NOTAS:

1) O 'Iaguari' (Engenho Jaguaribe) possivelmente é o #85, pois tem o nome 'Jaguarabe', Jaguari, e assim deve estar à margem desse rio;

2) o próprio Dussen chama a 'viúva de Jerônimo Crabel' em (Nassau-Siegen; Dussen; Keullen - 1638) de Jerônima Cabral, mulher de Francisco Mendes Flores.

Se a segunda informação for a correta, as conclusões seriam as seguintes:

a) #67 (Nassau-Siegen; Dussen; Keullen - 1638) = #78 (Dussen, 1640) = 'N s ᵭ Piedade';

b) #85 (Dussen, 1640) = 'Iaguari'.

3) Quanto ao #78 (Dussen, 1640) pertencer à jurisdição da freguesia de São Lourenço, isso parece ser um engano nesse relatório, pois não localiza-se o rio Jaguaribe naquela área e este engenho constar como o último da lista dessa jurisdição, e a jurisdição que se segue é a de Igarassu, à qual ele deveria pertencer.


(Nieuhof, 1682), cita esse engenho, ao reportar as ações dos neerlandeses no dia 7 de julho de 1645:

@ pg. 184:

"No mesmo dia Hartsteyn marchou com um destacamento de 90 soldados e 30 brasileiros das guarnições de Recife e Itamaracá para Ajama e Jaguaribe (257), à procura dos rebeldes. Não encontrando, porém, nenhum revoltoso, regressou por volta do meio-dia e, na noite seguinte, marchou em direção às tropas de Haus.".

@ pg. 184, Nota de José Honório Rodrigues:

"(257) Nieuhof escreveu Ajama e Jegoaribi (p. 99, l.a col., últ. §). Em Vingbooms (XCVII, vol. II, mapa 47, Itamaracá), são registados o rio Angama e os engenhos Aujama e Aujama de Baixo, e o rio e engenho Jeguaribi. Alfredo de Carvalho regista Jaguaribe, como corr. de yaguár — y — pe, no rio da onça (p. 49). É um braço do rio Maria Farinha, na ilha de Itamaracá. No Breve Discurso (XV, p. 141), segue-se um légua ao norte do Tapado, o Rio Doce. Duas léguas ao norte deste rio, o rio Ajama e uma légua adiante o lguarassu.".


(Pereira da Costa, 1903), Vol. 1, ano 1573, Junho 12, pg. 403-404:

"JUNHO 12 — Demarcação judicial das terras de Jaguaribe, conferidas a Vasco Fernandes de Lucena, por carta do donatário Duarte Coelho, lavrada em 24 de julho de 1540, e procedida em virtude de

despacho do desembargador Antônio Salema, ouvidor geral do Brasil, então em Pernambuco no desempenho do seu cargo, a requerimento dos herdeiros das ditas terras, d. Beatriz Dias, viúva de Vasco Fernandes, de seus filhos Sebastião e Francisco Fernandes de Lucena, e d. Clara Fernandes, representada por seu marido, Cristóvão Quixada.

Nessas terras existia então um engenho, sem dúvida levantado por Vasco Fernandes, uma vez que isto pretendendo, solicitou um auxílio régio, que é assim recomendado pelo donatário Duarte Coelho, em carta dirigida a d. João III, em 22 de março de 1548: — "por ele querer fazer um engenho em uma ribeira, e em um pedaço de terra que lhe dei, pede a V. Alteza por ajuda de o fazer, lhe faça mercê de lhe dar licença para poder mandar algum brasil de cá para isso, o que irá fazer à costa onde não faça dano nem prejuízo, certo, Senhor, que ele disso e de toda outra mercê é merecedor e a mim, Senhor, a fará fazendo a ele, pois a mercê, e ele escreve a V. Alteza sobre isso por um seu filho".

As referidas terras, bem como outras também situadas em Jaguaribe, passaram depois ao patrimônio do mosteiro de S. Bento, de Olinda, por doação ou venda, como sejam: — 400 braças de terra em quadro, doadas a Vicente Fernandes pelo donatário Duarte Coelho de Albuquerque, por carta de 20 de agosto de 1566, e posteriormente vendidas ao mosteiro; um pedaço de terra em Jaguaribe, doado por Manuel Godinho e sua mulher Maria Fernandes, por escritura de 18 de julho de 1598; uma ilha situada entre o rio Jaguaribe e o Aiamá, chamado hoje rio Inhaman, vendida por Braz Correia de Abreu e sua mulher, em 7 de maio de 1615; um partido de canas vendido por Paulo de Almeida em 26 de novembro de 1647; e um Sítio de terras em Jaguaribe, doado por disposição testamentária de d. Inês de Oliveira, do qual tomou posse o mosteiro em 7 de janeiro de 1660.

Todas estas terras, reunidamente, constituem uma grande, importante e rendosa propriedade, com uma capela, casas de vivenda, vastos campos de cultura, e fornos de fabricação de cal, de excelente qualidade, conhecida no mercado por cal de S. Bento, em cuja indústria se empregavam grande número de escravos pertencentes à ordem, até que, em reunião capitular celebrada no mosteiro de Olinda em 15 de janeiro de 1831, resolveram os padres libertar todos os escravos de sua propriedade, por ser a escravidão oposta à razão, à consciência e à religião.

Todos os documentos citados sobre as terras de Jaguaribe, bem como a carta de data conferida a Vasco Fernandes de Lucena em 1540, se acham autenticamente registrados no Livro do Tombo, do mosteiro, que nos foi dado consultar.

As terras de Jaguaribe, porém, ainda se dilatavam por muito mais, como se vê da verba 28 do testamento do mestre de campo João Fernandes Vieira, celebrado em 1671, em que declara, que comprara ditas terras, mas — sem fábrica alguma, estando tudo por terra, — e só restando do engenho que ali havia alguma ferragem — os cobres miúdos, duas tachas, um paiol e outras miudezas de ferramenta, — como tudo declara na referida verba.

Posteriormente, porém, foi a fábrica restaurada, e em 1812 era o Engenho Jaguaribe — distante quatro léguas do Recife e uma do litoral, — tomado por arrendamento por Henrique Koster, bem conhecido pelo interessante livro que publicou das suas viagens ao Brasil; como refere ele próprio, o engenho estava provido de escravos, gado, maquinismos e utensílios, de modo a começar logo a trabalhar; e descrevendo-o, fala do seu grande terreiro, da capela, a casa grande do senhor do engenho, da senzala com a sua fileira de casinhas, para habitação dos escravos, das casas da fábrica e de purgar, e da levada por onde passa a água que moi o engenho.

Koster chegou a tirar a primeira safra da fábrica, celebrando a botada, ou começo da moagem das canas, com a costumada e tradicional solenidade, mas, em fins de 1813, movido por contrariedades repetidas, particularmente com os seus vizinhos, gente muito barulhenta, abriu mão do arrendamento, e retirou-se para Itamaracá.

Em Jaguaribe houve um presídio militar, que foi mandado extinguir pela carta régia de 12 de março de 1707, em virtude de proposta do governador Francisco de Castro Morais, por desnecessário, e ordenando a referida carta, que o cabo que o comandava, Manuel Dias Pinheiro, e que ainda lá estava, passasse no mesmo posto e soldo de quatro mil réis, para o forte que. se estava construindo na praia de Pau Amarelo.

A denominação de Jaguaribe vem de um braço do rio Maria Farinha, assim chamado, e que passa por suas terras; e, termo de origem indígena, é corruptela Yaguár-y-pe, no rio do jaguar, da onça.".


(Cabral de Mello, 2012):

@ pg. 76-77, Os engenhos de açúcar do Brasil Holandês, I - Capitania de Pernambuco, Igaraçu:

«7) JAGUARIBE. Sem indicação de orago. Sito à margem direita do rio homônimo. Engenho d'água. Em 1609, seu proprietário era Gaspar Fernandes Anjo, que em 1600-2 fora mercador e contratador dos dízimos de Pernambuco. Em 1623, pertencia a Francisco Gomes Flores, produzindo 3,2 mil arrobas. Quando da ocupação holandesa, pertencia à viúva de Francisco, Jerônima Cabral Távora, estando arrendado a Antônio da Rocha Bezerra. Este Antônio da Rocha ou homônimo fora em 1593 senhor de engenho na freguesia, exercendo o cargo de provedor dos Defuntos e escrivão da Fazenda de Sua Majestade. O engenho moía em 1637 e 1639. O relatório de Van der Dussen contou-o duplamente sob os números 78 e 85. Evacuado em 1646. Em 1647, 0 engenho pertencia a Paulo de Almeida e Souza, que vendeu um partido de cana do dito engenho à Ordem beneditina. Em 1663, Antônio da Rocha Bezerra era devedor de 3060 florins à WIC.(28)».

@ pg. 177, Notas:

«(28) CP, P. 132; IL, 8475; RPFB, P. 204; "RELAÇÃO DE AMBRÓSIO DE SIQUEIRA", PP. 216, 219-20; FHBH, I, PP. 31, 88, 155; RCCB, PP. 54, 152; "LIVRO DO TOMBO", P. 294; NP, I, P. 336.».






Citação deste verbete
Autor do verbete: Levy Pereira
Como citar: PEREIRA, Levy. "Iaguarĩ (engenho)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/atlas/Iaguar%C4%A9_(engenho). Data de acesso: 4 de abril de 2020.


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