Ações

Itapuámucû

De Atlas Digital da América Lusa

(Redirecionado de Itapuámucû (serra))

Coleção Levy Pereira


Itapuámucû

Serra na 'ITAPVÁMA' (região de Itabaiana), na m.d. do 'Iacaréacica' (Rio Jacarecica) e nascentes do 'R. de Iataboca' (Rio Tabocas).


Natureza: serra.


Mapa: PRÆFECTURA DE CIRÎÎĬ, vel SEREGIPPE DEL REY cum Itâpuáma.


Capitania: CIRÎÎĬ.


Nomes históricos: Itapuámucû; Itabaiana Grande; possivelmente Itapuamuru.


Nome atual: Serra Itabaiana.

Cota máxima 659 m, e situada no Parque Nacional Serra Itabaiana, municípios de Itabaiana-SE e Areia Branca-SE.


Toponímia:

Itapuámucû = Itapuama-açu, combinação de Itapuama, vide abaixo, açu, grande. Notem que há, vizinha, ao sul, e mais baixa, a serra 'Itapuama mirĩ', mirim = pequena.

(Guaraná, 1916), pg. 309:

"ITAPUAMA — Nome de Itabaiana segundo Barleus. Itá, poã — levantar: pedra erguida, em pé.".

Citações:

(Margrave, 1648), comentando a respeito da TABELA DO ANO cIɔ Iɔ CXLI (1641), pode estar citando-a como monte Itapuamuru, pg. 266:

"... Indica também no segundo de julho: de manhã, densos nevoeiros, antes do meio dia, nuvem, montes nevoentos, sol raro, vento forte, frio, frequentemente choveu com intervalos depois do meio-dia, do mesmo modo, a noite nublada, choveu com intervalos frequentes. Muito frio era também o próprio meio-dia no atíssimo monte Itapuamuru, de sorte que a barba e os cabelos eram para nós cobertos de gotas d'agua e as mãos enregelavam à comparação do gelo. E assim muitas vezes indica noites frias.".


(Câmara Cascudo, 1956), pg. 146:

"Os afluentes da esquerda do Rio das Pedras, estão apenas curtamente indicados no curso. O primeiro, logo a sair do boqueirão, ganha declividade e se subdivide em correntes que parecem surgir da serrania. O segundo afluente da esquerda, adiante separado, toma em seu sub-tributário esquerdo, o nome de Rio da Iataboca (Taboca), e nasce na serra Itapuámucú. O outro, sub-afluente da direita, vem ter cabeceira na mesma serra mas não mereceu as honras do batismo.".


Notas:

Interpreta-se, neste trabalho, que 'Itapuámucû', na 'ITAPVÁMA', é o monte 'Itapuamuru' onde George Marcgrave fez apontamentos climáticos, em 2 de julho de 1641, com base nos seguintes argumentos:

1) Há semelhança dos nomes desses topônimos, grafados com uma letra de diferença;

2) Não existe nenhum monte ou outro topônimo com o nome 'Itapuamuru' no BQPPB, mapa de autoria do próprio Marcgrave;

3) Margrave estava, em 1641, na região do Rio São Francisco fazendo levantamento cartográficos, conforme (Matsuura, 2011):

@ pg. 42-43:

"Segundo os MP e documentos da WIC, teriam ocorrido mais duas expedições em 1641: no dia 9 de fevereiro Marcgrave partiu para uma expedição para estudos de geografia que durou nove meses. Teria sido para explorar o Rio São Francisco e o interior do Brasil. A expedição seria à procura de minerais e recursos naturais. Acreditava-se então que o Rio São Francisco fosse uma via fluvial que podia levar aos cobiçados montes de prata de Potosi, na Bolívia. Nessa expedição é possível que Marcgrave tenha feito as medidas geodésicas para uma parte do seu trabalho publicado em Tractatus topographicus. No último de seus oito livros em Historia naturalis Brasiliae, que trata da geografia, etnologia e meteorologia, Marcgrave relata que no dia 2 de julho de 1641 (portanto, nessa expedição) ele estava numa montanha elevada chamada Itapuamuru, onde sentiu extremo frio em pleno meio-dia. Ele teve as mãos enregeladas e o spray da neblina cobria a barba e os cabelos. Não sabemos como era o seu rosto, mas isso dá uma idéia de que ele teria barba e não seria completamente careca. O nome da montanha não elucida a localização, mas vários autores conjecturam que se trata do platô de Garanhuns, a cerca de 290 km do Recife. Alguns acham que pode ser a Serra da Baixa Verde, onde se encontra a cidade de Triunfo.".

@ pg. 102:

"LINHA DO TEMPO - 9/2/1641 - Marcgrave participa de expedição pelo Rio São Francisco. Em novembro está de volta a Recife, mas realiza trabalhos de campo até 9/12/1641.".

4) Há pontos fracos, apresentados abaixo, nas seguintes interpretações para a posição do 'Itapuamuru':

►Dra. Eloisa Torres, em (Margrave, 1648), nos COMENTÁRIOS SOBRE O LIVRO VIII, discorrendo sobre o Capítulo III, à pg. CI (101), cita:

"Ora, a única referência que, no texto, é feita à temperatura, é a descrição do frio verificado no mês de julho, no "altíssimo monte Itapuamurú", presumivelmente - Garanhuns, região muito elevada do estado de Pernambuco, onde, realmente, apesar da proximidade do Equador, ...".

(Matsuura, 2011), no mesmo parágrafo anteriormente citado, pg. 42-43:

"O nome da montanha não elucida a localização, mas vários autores conjecturam que se trata do platô de Garanhuns, a cerca de 290 km do Recife. Alguns acham que pode ser a Serra da Baixa Verde, onde se encontra a cidade de Triunfo.".

(Medeiros, 1998), O CLIMA DA CIDADE DO RIO GRANDE (NATAL), NOS ANOS DE 1640 A 1642, pg. 88:

"Nos "Comentários sobre o Livro VIII", de responsabilidade de PLÍNIO AYROSA, o mesmo explica o significado do termo túpico Itapuamuru:

"ITAPUAMURU - (Itá-puã-murú). Tanto se traduz por pedras redondas soltas, como por pedras erguidas, ou do alto, soltas, revolvidas (4)".

Tal descrição se ajusta muito bem ao nosso conhecido PICO DO CABUGI, que corresponde a um dos pontos mais elevados do Estado. Trata-se de uma avultada massa de gnaisse, em cujo bojo existe um olho d'água, que no período da grande seca de 1791-1793, forneceu água às grandes manadas de caprinos. O Cabugi, um vulcão extinto, apresenta uma forma cônica, sendo de basalto o seu pico, que atinge a altitude de 590 metros. Nas encostas do extinto vulcão, vêem-se milhares de pedras basálticas, também chamadas de pedra-ferro,

Fica o Cabugi localizado no município de Angicos, e com muita probabilidade de acerto, seria aquele mesmo Itapuamuru referido por Jorge Marcgrave.".

5) Contra argumenta-se, às interpretações acima, que:

a) Neste estudo, só foi encontrado o topônimo 'Itapuámucû' no 'BRASILIA Hidrographica & Geographica Tabula nova' (BQPPB), nenhum 'Itapuamuru', que acredita-se ser grafia errada em (Margrave, 1648).

b) Baseando-se na cobertura mapeada do BQPPB, nota-se que Jorge Marcgrave (ou outro explorador neerlandês) não fez levantamento cartográfico a oeste de Vitória de Santo Antão-PE. Nem encontrou-se, até agora, relatório de Marcgrave de expedição tão profunda nos sertões de Pernambuco ou do Rio Grande.

c) O morro Cabugi, em Angicos-RN, o planalto de Garanhuns-PE, e mesmo as serras de Triunfo-PE, estão bem distantes da região do Rio São Francisco, onde encontrava-se Marcgrave em 1641.

d) A 'Itapuámucû' (Serra de Itabaiana) está somente a 99 Km em linha reta de 'Mauritius' (Forte Maurício, em Penedo-AL), presumível base logística da expedição de Marcgrave em 1641.

e) A 'ITAPVÁMA' está muito bem cartografada no BQPPB, fruto de um bom levantamento de campo, com boas chances de ter sido feito pelo próprio Marcgrave, e, essa região era de altíssimo interesse, pois havia muitas notícias à época de lá haver minas de prata.

f) Conforme pode-se observar na citação de Marcgrave, acima, o ano de 1641 foi muito chuvoso e com densos nevoeiros, um ano relativamente frio. Atente-se que, na Serra de Itabaiana, uma serra escarpada com cerca de 650 m de altitude, sob uma frente fria com neblina e fortes ventos, no mês de julho, inverno no Hemisfério Sul, poderia, e ainda pode, sob essas condições, causar a sensação de enregelar as mãos. E, deve-se atentar que, no período de 1565 a 1665, inserido na chamada Pequena Idade do Gelo, ocorreram invernos rigorosos no mundo todo.






Citação deste verbete
Autor do verbete: Levy Pereira
Como citar: PEREIRA, Levy. "Itapuámucû". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/atlas/Itapu%C3%A1muc%C3%BB. Data de acesso: 29 de março de 2020.


Baixe a referência bibliográfica deste verbete usando

BiblioAtlas recomenda o ZOTERO

(clique aqui para saber mais)



Informar erro nesta página