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Medidas

De Atlas Digital da América Lusa

A forma de contar e medir as coisas varia muito ao longo da história. Na América Portuguesa e no mundo luso da época moderna não foi diferente. Era muito mais fácil agrupar em dúzias, por exemplo, do que em dezenas ou centenas. A própria forma de contar os anos de vida, a idade, era imprecisa. Em diversas fontes, as pessoas diziam ter tantos anos mais ou menos. A moeda, particularmente, era dividida e subdividida de muitos modos. No mundo luso, o real era a moeda base. Vinte réis formavam um vintém; quatro vinténs ou oitenta réis formavam um tostão; quatro tostões ou trezentos e vinte réis formavam uma pataca; três patacas, doze tostões, quarenta e oito vinténs ou novecentos e sessenta réis juntavam um patacão. Somando oitenta vinténs, vinte tostões, cinco patacas ou 4 cruzados, se formava um escudo. E uma dobra era composta de doze mil e oitocentos réis, seiscentos e quarenta vinténs, cento e sessenta tostões, quarenta patacas ou trinta e dois cruzados.[1]


Tabela de conversão

MEDIDAS Metros Linha Grão de cevada Polegadas Palmos Pés Varas Braças Léguas
Linhas ou pontos 1
Grão de cevada 2,5 1
Polegada ou dedo 0,0275 10 4 1
Palmo 0,22 80 8 1
0,33 120 12 1,5 1
Vara 1,1 40 5 3,33 1
Braça 2,2 80 10 6,66 2 1
Légua 5500 25000 16650 5000 2500 1
por Tiago Gil
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As principais medidas de cumprimento eram a polegada (ou dedo), o palmo, o pé (pé de rei), o côvado, a vara, a braça e a légua. A polegada era formada de um dedo ou quatro grãos de cevada. O pé era constituído de um palmo e meio. O palmo, de oito polegadas. Três palmos, um côvado. Uma vara somava cinco palmos. Duas varas ou dez palmos formavam uma braça. Duas mil e quinhentas braças compunham uma légua. Um texto anônimo de 1793, o Dicionário Universal das Moedas1, falava sobre o uso das medidas em Portugal: Nas medições de terrenos há diversidades, motivo porque apontamos aquelas que temos. Em Lisboa, medem-se os terrenos com vara de cinco palmos craveiros; na comarca de Santarém medem-se os campos por firgas de dezessete varas; nos campos de Coimbra medem-se as terras com aguilhadas de 14 palmos...[2]

Na seqüência do livro, há uma digressão sobre outras formas de se medir particulares de algumas regiões, como a geira, além das diversas medidas existentes para se mesurar produtos, cada um com sua forma específica de ser medido. E também havia as medidas secas (conceito de volume): a unidade básica era o alqueire, que era dividido em meias, quartas e oitavas. A oitava era formada por duas maquias; uma maquia, por dois selamins. E com sessenta deles se fazia um moio. Os líquidos tinham igualmente sua mensuração: doze onças formavam um quartilho; quatro quartilhos, uma canada; seis canadas, um alqueire ou pote; dois potes, um almude; vinte e seis almudes, uma pipa.[3] Os pesos se organizavam em arrobas, formadas por trinta e dois arráteis; o arrátel, por dois marcos; o marco, por oito onças; a onça por três dinheiros; o dinheiro por vinte e quatro grãos. [4]


Até aqui apresentei as principais formas de medir e contar que encontrei, ou melhor, os sistemas numéricos mais comumente adotados no Império Luso, os quais eram, como vimos, fracionados, divisíveis de diversas formas e empregados em diferentes conjuntos. A medida decimal era praticada em diversos setores como, por exemplo, no imposto dos dízimos, 1/10 da produção que era recolhida. Mas esta medida convivia com uma diversidade de formas de mensurar que eram igualmente adotadas e empregadas em diferentes lugares e para resolver problemas de naturezas diversas. Longe de ser uma idiossincrasia, era a forma que aquele mundo encontrara para medir as coisas. Nem todas estas medidas eram empregadas na rota das tropas. Algumas eram preferenciais e diversas do que se praticava em outras áreas de conquista lusa. Como nos sugere o autor anônimo, cada região tinha suas formas peculiares de medir e isso também variava de acordo com o produto.[5]


Referências

  1. Consultar verbete moeda
  2. ANÔNIMO, Diccionario universal das moedas assim metallicas, como ficticias, imaginarias, ou de conta, e das de fructos, conchas, &c. que se conhecem na Europa, Asia, Africa e America. (Lisboa: Off. de Simão Thaddeo Ferreira, 1793).
  3. Segundo BLUTEAU, a pipa de Lisboa é meio tonel, ou duas quartolas, faz trezentas & doze canadas, ou vinte & seis almudes de doze canadas cada almude. As pipas do Porto são maiores.
  4. ANÔNIMO, Diccionario universal das moedas assim metallicas, como ficticias, imaginarias, ou de conta, e das de fructos, conchas, &c. que se conhecem na Europa, Asia, Africa e America. Encontrei referências a pesos e medidas semelhantes em BLUTEAU, Raphael. Vocabulários português e latino. Rio de Janeiro: UERJ
  5. Bluteau nos apresenta algumas passagens que reforçam este cenário. No verbete PESO, fala que Em Portugal fez um curioso a tábua dos pesos de algumas cidades de maior comércio, reduzidos aos pesos de Lisboa, em que declara que o quintal de Goa, & Cochim é o mesmo que deste Reino, que três arráteis de Veneza fazem três dos nossos; que um quintal nosso de 128 arratéis, responde em Paris a 120 arratéis de 16 onças; que 102 arratéis de Londres fazem 100 arratéis de Lisboa; que o nosso peso é maior que o de Amsterdão seis por cento [...] a mão cheia das ervas, que é quanto se toma com uma mão, se escreve assim, M. O punho das sementes, que é quanto se pode tomar com três dedos, se escreve assim P.



Citação deste verbete
Autor do verbete: Tiago Gil
Como citar: GIL, Tiago. "Medidas". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/atlas/Medidas. Data de acesso: 21 de outubro de 2019.



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