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PROBLEMA VI - Medir a altura de uma Torre, a que se não pode subir

De Atlas Digital da América Lusa

Medir a altura de uma Torre, a que se não pode subir

Tome-se um ponto, como 40. ou 50. braças desviado da Torre, e esta distancia seja exatamente medida :e pondo o instrumento com as pínulas fixas paralelas ao Horizonte no extremo da linha medida, e olhando pelas mesma pínulas, ou óculo fixo, se notara na Torre um ponto como em A, e tome-se a distancia desse ponto até o pé da Torre, e se escreva no borrador, ou caderno de lembrança; e o instrumento nesta situação, mova-se a Alidada de sorte, que pelas suas pínulas, ou óculo se veja a extremidade mais alta da Torre, e note-se o angulo, que faz com a linha horizontal, e se escreva. [39] Para transferir esta operação ao papel se lance nele uma linha de tantas partes iguais, quantas forem as braças medidas do ponto até a Torre, e por cima desta linha se lance outra paralela do mesmo comprimento, e mais alta, que a primeira da medida, que foi achada do ponto A até o pé da Torre: (Figura sétima, estampa segunda) sobre esta segunda linha se forma o angulo achado pelo instrumento com uma linha indiffinita e levantando uma perpendicular sobre a primeira linha, esta cortará a linha indiffinita em um ponto, e será toda esta perpendicular a altura da Torre, que se queria saber ; tomando a perpendicular entre as pontas do compasso, e aplicando-a petipé, mostrará quantas braças, varas etc., tem de altura.
Figura Sétima
[40] Busque-se um lugar perto da Torre, e ponha-s e o instrumento com as pínulas fixas paralelas ao Horizonte, e movendo a Alidada para a parte mais alta da Torre, se note o angulo, que faz e se escreva no borrador; e sem mover o instrumento, pelas pínulas fixas se tome outro ponto para a parte oposta, e no mesmo alinhamento, e este ponto desviado do primeiro id eft. distante quarenta, ou cinquenta braças de A, até B, (Figura oitava, estampa segunda) e notado o segundo ponto B, para ele se mudará o instrumento, e se poderá nele na mesma altura, em que estava no primeiro ponto A. Estando assim o instrumento, e as pínulas fixas paralelas ao Horizonte, se enfiara o primeiro ponto A, [41] A, em que deve ter ficado uma bandeirola, e a régua se vire de sorte, que pelas suas pínulas se veja a mesma extremidade da Torre, como de antes, e se note o angulo, que o instrumento mostra na sua graduação.
Figura Oitava

Para transferir esta operação ao papel, se deve estabelecer nele a base AB de tantas partes iguais, quantas foram as braças medidas, e do ponto A prolongando a linha BA para parte A, se forme o primeiro angulo tomado, lançando uma linha indefitina se forme o segundo angulo. Estas duas linhas se cortarão em um ponto e deste ponto lançando uma perpendicular sobre a base BA, produzida, será a mesma perpendicular a altura da Torre, ajuntando-lhe a altura do instrumento.

[42] Quando se mede a altura de uma Torre ou com este, ou com qualquer outro instrumento, é supondo que se não pode subir a ela: porque podendo subir, é mais fácil, e mais certo manda lançar do alto da Torre um cordel com um plumo, e por meio dele medir a sua altura, que ficará sabida.

Deve-se advertir que este, e outros instrumentos, que a de medir distancias, todos são falíveis, e se não deve usar deles para medir distancias curtas, que se podem mais facilmente medir sem instrumento, e assim podendo ser, é mais certo, e mais seguro obrar sem eles.

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Ficha técnica da Fonte
Autor: Manuel de Azevedo Fortes
Data: 1722.
Referência: ..
Acervo: Biblioteca Nacional de Portugal.
Transcrição: Carlos Antonio Pereira de Carvalho.
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