Ações

Utinga (Engenho de roda d'água)

De Atlas Digital da América Lusa

Coleção Levy Pereira


[Utinga]

Engenho de roda d'água com igreja, no vale do rio Utinga de Cima.

Não mapeado no BQPPB.


Natureza: Engenho de roda d'água com igreja


Mapa: PRÆFECTURÆ PARANAMBUCÆ PARS BOREALIS, una cum PRÆFECTURA de ITÂMARACÂ


Capitania: PARANAMBVCA


Nomes históricos: Utinga (Outinga), São Francisco.


Jurisdição: Cidade de Olinda - Freguesia do Cabo de Santo Agostinho.


Nome atual: ...


Citações:

►Mapa PE-C (IAHGP-Vingboons, 1640) - plotado como engenho, 'Ԑ: Outinga', no vale do 'Rº. Piripama'.


(Schott, 1636), pg. 58-59:

"9 - Engenho Utinga, pertencente ao citado Julião Paes, situado meia milha ao sul do já referido engenho. A casa de purgar e a casa das caldeiras são feitas de taipa e nelas foram encontradas o que abaixo está especificado. Mói com água mas tem um açude difícil; a terra que lhe pertence é calculada em uma milha e tem muitas matas e poucas várzeas; pode anualmente moer cerca de 2.000 a 3.000 arrobas de açúcar e paga como recognição 3 por cento. Na casa das caldeiras foram encontradas 3 caldeiras, 3 tachos, 3 negras velhas com uma criança.".


(Nassau-Siegen; Dussen; Keullen - 1638), pg. 84:

"14. Engenho Utinga, sob a invocação de São Francisco. Pertenceu ao mesmo Julião Paes. Foi confiscado mas não vendido por estar muito arruinado e sem canas, e pois não moerá.".


(Dussen, 1640), pg. 143:

"16) Engenho Utinga, inteiramente destruído, foi confiscado e ainda não vendido.".


(Relação dos Engenhos, 1655), pg. 238-239, informando a pensão que este engenho pagava à capitania de Pernambuco:

"Engenhos da freguesia de Santo Antônio do Cabo

...

Engenhos que estão a monte e arruinados da freguesia acima

...

- E o engenho Utinga, de Julião Paes, a três e meio por cento.".


(Cabral de Mello, 2012):

@ pg. 100-102, Os engenhos de açúcar do Brasil Holandês, I - Capitania de Pernambuco, Cabo:

«2) UTINGA. Invocação São Francisco. Sito à margem do riacho homônimo. Engenho d'água. Pagava 3,5% de pensão. Fundado por Felipe Cavalcanti, natural de Florença (Itália), filho dos da governança daquela cidade. Felipe, que aportara à capitania por volta de 1553, casando-se com uma das filhas de Jerônimo de Albuquerque, foi capitão-mor de Pernambuco, residindo em Olinda em 1593 e possuindo engenho na capitania de Itamaracá. O Utinga foi vendido por seus herdeiros a João Pais Barreto, o Velho, da pequena nobreza de Viana, o qual chegara a Pernambuco por volta de 1557. No seu codicilo de 1617, João Pais legou Utinga a seu filho Antônio Pais Barreto. "Tem um açude difícil; a terra que lhe pertence é calculada em uma milha e tem muitas matas e poucas várzeas; pode anualmente moer 2 mil a 3 mil arrobas de açúcar [...]. Na casa das caldeiras foram encontradas três caldeiras, três tachos, três negras velhas com uma criança." Confiscado, não pôde ser vendido nos anos seguintes, "por estar muito arruinado e sem canas". Em 1642, o capitão de cavalaria Gaspar van der Ley adquiriu à WIC "os engenhos Utinga de Cima e Utinga de Baixo por 20 mil florins, além de quarenta escravos, cujo preço total seria acrescentado ao do engenho, a serem pagos em prestações de 8 mil florins por ano a partir de janeiro de 1645". Dias depois, Van der Ley pleiteava desconto, alegando haver comprado a propriedade "na esperança de que encontraria ainda um bom engenho e bons canaviais", constatando depois que "as terras de ambos os engenhos são matas e não terreno cultivado, e tem apenas uma velha casa de purgar". Além do mais, "o preço dos negros foi excessivamente alto e aumenta enormemente sua dívida [pois] tanto o engenho quanto os negros lhe foram vendidos pelo dobro do valor real". O governo do Brasil holandês concordou em abater pela metade o preço do engenho mas não o dos escravos; e Van der Ley hipotecou o Algodoais à WIC por 49964 florins. Provavelmente, não teve tempo de reativar a fábrica, uma vez que, deflagrada em 1645 a insurreição luso-brasileira e a despeito da sua adesão ao movimento, foi preso e enviado a Salvador, onde viverá pelo resto da vida. Em 1655, o Utinga estava a monte. Em 1663, Van der Ley devia 49964 florins à WIC. Em 1665, o engenho pertencia a João Batista Acióli, que casara com a viúva de Gaspar, d. Maria de Melo.(58)».

@ pg. 181, Notas:

«(58) DP, p. 75; RPFB, p. 205; FHBH, I, pp. 29, 60, 85, 144, 239; RCCB, pp. 36, 159; MDGB, pp. 186, 261; VWIC, IV, p. 158; DN, 25.VII.1639, 18.IV.1641; BB, p. 141; "Generale staet", ARA, OWIC, n. 62; "Rol da finta que se fez na freguesia do Cabo", 1665, AHU, PA, Pco., cx. 5; NP, I, p. 116; Francisco José Moonen, Gaspar van der Ley, no Brasil, Recife, 1968, pp. 37-8; Gilberto Osório de Andrade e Rachel Caldas Lins, João Pais, do Cabo, Recife, 1982, pp. 58-63.».






Citação deste verbete
Autor do verbete: Levy Pereira
Como citar: PEREIRA, Levy. "Utinga (Engenho de roda d'água)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/atlas/Utinga_(Engenho_de_roda_d%27%C3%A1gua). Data de acesso: 21 de março de 2019.


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