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Diplomacia

A Carta das Nações Unidas

Bertha assinou o livro da Carta das Nações Unidas no dia 26 de junho de 1945, em cerimônia realizada na cidade de San Francisco, EUA.

Bertha assinou o livro da Carta das Nações Unidas no dia 26 de junho de 1945, em cerimônia realizada na cidade de San Francisco, EUA.

Origem: UN Photo. (Todos os esforços foram feitos para obter autorização de uso dessa imagem)

Origem: UN Photo. (Todos os esforços foram feitos para obter autorização de uso dessa imagem)

A dor causada pela Guerra recém encerrada na Europa ainda era sentida por milhares de pessoas quando delegados de 50 países se reuniram na cidade de San Francisco para elaborar o documento de fundação da nova organização internacional, que todos esperavam ser capaz de preservar a paz e reduzir as desigualdades entre as nações. Esse momento de grande expectativa foi acompanhado por Bertha, que participou ativamente das negociações em defesa da revisão periódica da Carta da ONU, além de ter defendido a inclusão do princípio da igualdade entre homens e mulheres no Preâmbulo do documento.

Cobertura da revista "Manchete" à Conferência da ONU do Ano Internacional da Mulher, 1975

Em 1975, o movimento feminista saboreou a vitória de ver acontecer a longamente desejada conferência da ONU sobre a mulher. Há muitos anos as ativistas pressionavam a ONU para que a agenda das questões da mulher ocupasse o centro do debate diplomático. O resultado foi a convocação da conferência, realizada na Cidade do México, entre junho e julho daquele ano, e que inaugurou o Ano Internacional da Mulher.
Bertha Lutz foi a convidada especial da delegação brasileira, na qualidade de delegada plenipotenciária. Esse gesto valeu ao embaixador Lauro Escorel a honra de presidir a conferência e discursar logo após os anfitriões. Escorel destacou a presença de Lutz, cuja contribuição para a redação da Carta da ONU em 1945 assegurou o compromisso com a igualdade entre os sexos no desenho da instituição que se erguia então. A documentação sobre a Conferência, preservada no Arquivo do Itamaraty, revela o acerto dos diplomatas brasileiros ao convidar a velha ativista, pois Escorel relata em telegrama à Chancelaria que os conselhos de Lutz foram decisivos para a condução dos trabalhos da delegação brasileira no emaranhado dos grupos feministas (e não muito feministas) que compareceram à reunião.
Você pode ler o relato que Bertha fez ao Itamaraty contendo suas impressões pessoais sobre a Conferência:
Relatório Conferencia Mexico, 1975
Apenas à jornalista Heleoneida Studardt, destacada pela Revista Manchete para cobrir os trabalhos da Conferência pareceu não ser importante que Bertha compusesse a delegação brasileira. Sobre isso, a jornalista silenciou, como você pode conferir na reportagem reproduzida abaixo. Como eu sei que Heleoneida cobriu o evento para a Manchete? Assim estava registrado nos arquivos do Itamarati.


Eloquentes foram os comentários de Bertha sobre os bastidores da Conferência, especialmente, o seu desagrado com os rumos do feminismo em 1975.

Feminismo e Diplomacia

Desde os anos 1920, paralelamente ao esforço para obter o direito de sufrágio, grupos feministas nas Américas empenhavam-se para opinar nos fóruns internacionais, onde se debatiam questões importantes para as mulheres. Entretanto, a presença de mulheres nas delegações das conferências diplomáticas era diminuta. Ainda assim, lentamente, os grupos feministas conquistaram espaço político para denunciar nos fora diplomáticos a desigualdade jurídica e salarial entre os sexos, e a desproteção da mulher trabalhadora.
Sem dúvida, era um meio majoritariamente masculino, mas foi possível avançar alguns pontos para construir uma agenda diplomática em favor do compromisso de reduzir as desigualdades entre os sexos. Nos próximos posts, comento alguns momentos importantes da colaboração de Bertha Lutz com o Itamaraty, sendo que o auge foi a sua participação, como delegada plenipotenciária, na Conferência de San Francisco, convocada em 1945 com o propósito de escrever a Carta da entidade mundial a ser criada, as Nações Unidas.

Uma aliança impensável: as feministas e a Guerra

Até meados da década de 1930 grupos feministas na Europa e nos Estados Unidos se mantiveram coerentes em defesa do pacifismo. Essa posição foi abandonada com o correr dos acontecimentos ao final da década. A onda nacionalista avançou por todos os países afetados pela ameaça fascista e as feministas responderam ao apelo à mobilização pela defesa dos países.
Essas matérias publicadas no jornal getulista “A Manhã”, entre os dias 27 e 29 de outubro de 1942, mostram a movimentação das feministas da Federação para mostrar apoio ao governo. Em contrapartida, os salões do Itamaraty são abertos para abrigar as reuniões, em que o tema principal é o papel das mulheres no esforço de guerra.

As mulheres no esforço de guerra

As mulheres no esforço de guerra

A Manhã, 29/10/1942Clique nas imagens!

Voltem para casa!!

Nas duas grandes guerras do século XX, as mulheres foram chamadas a colaborar com o esforço militar. Muitas trabalharam na indústria, outras receberam instrução militar mínima. Em menor número, mas, não menos importantes, mulheres atuaram no front de guerra como enfermeiras e pessoal de apoio.
Ao final dos dois conflitos, a mensagem ouvida foi a mesma: _ Voltem para casa! Deixem seus empregos para os soldados que retornam da guerra.
Encerrada a Primeira Guerra, estima-se que cerca de 100 mil mulheres viram-se subitamente desempregadas na Grã Bretanha. Quantas viveram a mesma situação em outros países? Não se sabe ao certo. Sabe-se que os anos 1950 foram bastante conservadores em termos de costumes e rigores da vida familiar. Foi o chamado baby boom dos EUA, ou a expansão da população. Mulheres no lar e homens nas ruas: esse foi o lema daqueles anos.
Clique na imagem para visualizá-la melhor.

Panfleto de propaganda do Partido Trabalhista australiano, anos 1940 Origem: http://john.curtin.edu.au/legacyex/foreign.html

Panfleto de propaganda do Partido Trabalhista australiano, anos 1940
Origem: http://john.curtin.edu.au/legacyex/foreign.html

Reunião da IV Convenção Nacional Feminina, outubro de 1942

Os tempos mudaram e as feministas abandonaram o pacifismo que haviam defendido por tanto tempo e se engajaram no esforço de guerra. A partir da entrada do Brasil no conflito mundial, os jornais getulistas (havia outros?) passaram a noticiar seguidamente as iniciativas das mulheres, muitas delas integrantes da FBPF.

Clique na imagem!No campo da mobilização moral

Bertha Lutz e a Conferência Internacional do Trabalho, 1944

Disse a líder feminista inglesa, Margery Ashby, que a questão do trabalho feminino representava uma divisão irreconciliável entre os grupos feministas europeus e norte americanos. As radicais entendiam que o igualitarismo deveria se estender ao mercado de trabalho; ao passo que as feministas sociais consideravam que, em alguns aspectos, a mulher trabalhadora deveria receber proteção. Especialmente, na maternidade.
Em 1944, Bertha Lutz representa o Brasil na Conferência Internacional do Trabalho, realizada na Filadélfia. Ao voltar, expõe ao jornal governista “A Manhã”, de 8 de setembro de 1944, as teses que defendera na reunião. A entrevista serve também lançar a ideia de uma mulher como delegada do Brasil na conferência de paz que se avizinhava. De fato, as notícias sobre as atividades de Bertha só cresceram em número durante o restante de 1944 e, no ano seguinte, ela foi nomeada delegada na Conferência de San Francisco…
Para ler a reportagem, basta clicar na imagem.

08.09.1944 Participarão as mulheres da próxima conferencia mundial da Paz edit

A 8ª Assembléia da Comissão Interamericana de Mulheres

A diplomata Leontina Licínio Cardoso foi destacada para representar o Brasil na VIII Assembléia da Comissão Interamericana de Mulheres, realizada em julho de 1952, no Ministério das Relações Exteriores, no Rio de Janeiro. Presidida por Amália de Castilo Landin, a assembléia contou com 21 países americanos.
Animada pela cobertura que a imprensa fez do evento, a advogada e feminista, Orminda Bastos, apresentou ao senador Mozart Lago um pré-projeto de lei para reformar os direitos civis das mulheres casadas, o qual Lago apresentou no Senado. Com a diferença de um mês, o deputado Nelson Carneiro fizera o mesmo na Câmara. Durante a tramitação, o projeto de Carneiro foi considerado prioritário e, ao fim de 10 anos, resultou em lei. Saiba mais sobre a tramitação desses projetos lendo o artigo abaixo:
Direitos Civis de mulheres casadas

24.07.1952 Propugnando por um novo sentido social e político edit2Bertha Lutz é condecorada por Vargas durante a 8ª Reunião da Comissão Interamericana de Mulheres, 1952
Clique na imagem para ler o texto!

Escrevendo a Carta da Organização das Nações Unidas

De 25 de abril a 26 de junho de 1945, delegações de todos os países que lutaram contra o Eixo se reuniram na cidade norteamericana de San Francisco para discutir os termos da Carta da ONU a partir do texto base elaborado pelas cinco maiores potências reunidas em outubro do ano anterior em Dumbarton Oaks, nos subúrbios de Washington.
San Francisco foi uma conferência decisiva para a reconstrução do mundo ainda abalado pelos efeitos devastadores da Guerra recém encerrada no âmbito europeu.
Bertha Lutz juntou-se aos diplomatas e militares brasileiros na qualidade de delegada plenipotenciária. Sua participação foi decisiva para garantir que a Carta da ONU fosse revista periodicamente e, sobretudo, para que o Preâmbulo da Carta contivesse o princípio do respeito à igualdade entre homens e mulheres.
Você também pode conferir as impressões pessoais de Lutz sobre os bastidores políticos da Conferência ao clicar abaixo.

Delegados brasileiros à Conferência de San Francisco, 1945

Delegados brasileiros à Conferência de San Francisco, 1945


San Francisco Conference Report
Origem: UN Photo

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Origem: UN Photo

Origem: UN Photo

Origem: UN Photo.

Origem: UN Photo.

Índice Geral dos temas da Conferência Internacional das Nações Unidas, realizada em San Francisco, em julho de 1945

Realização:
unb


Apoio:
cnpq