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História das Mulheres

O ultrafeminismo do jornalista Heitor Lima. Bertha Lutz evita falar em divórcio!

O jornalista Heitor Lima escrevia regularmente no jornal Correio da Manhã, importante periódico da cidade do Rio de Janeiro. Nessa e em outras colunas, Lima defende o divórcio como a solução para a violência contra a mulher e a tirania dos maridos. Faz duras críticas a Bertha Lutz: seu pensamento é confuso e impreciso, não ataca as questões principais que afligem as mulheres e mantém perigosa aliança com a Igreja católica.
Não sem razão, haveremos de concordar que a desigualdade de poder entre maridos e esposas trazia consequências terríveis para a vida das mulheres. As feministas da FBPF tinha consciência disso, mas a palavra divórcio não era pronunciada nas reuniões e congressos feministas, menos por falta de convicção e mais por temor de retaliação da Igreja.
Para ler a reportagem, basta clicar duas vezes na imagem.

Correio da Manhã, 2/8/1933.  Origem: Hemeroteca digital brasileira.

Correio da Manhã, 2/8/1933.
Origem: Hemeroteca digital brasileira.

A professora Leolinda Daltro

Uma das mulheres mais interessantes da Primeira República foi a professora Leolinda Daltro. Nascida na Bahia, Leolinda veio para o Rio de Janeiro com os filhos e buscou viver do ofício do magistério. Não suficiente acreditar profundamente no papel revolucionário da educação, a professora abraçou a causa da proteção (laica) aos indígenas.
Se os constituintes de 1891 negaram às mulheres brasileiras o direito de votar porque não serviam militarmente à pátria (Eis um dos argumentos contrários!), Leolinda instruía suas alunas do Instituto Orsina da Fonseca a atirar. Se os congressistas de 1891 negaram o sufrágio às mulheres, as alunas do Instituto aprendiam datilografia e, assim, podiam concorrer a empregos públicos (para horror dos homens!). A escola ficava na rua General Câmara, nº 387, próximo à Central do Brasil. Hoje, essa rua, como muitas na região, não existe mais; deu lugar à Avenida Presidente Vargas.

Gazeta de Notícias, 21/1/1916

Gazeta de Notícias, 21/1/1916

Gazeta de Notícias, 28/4/1917. Origem: http://hemerotecadigital.bn.br/

Gazeta de Notícias, 28/4/1917. Origem: http://hemerotecadigital.bn.br/

E mais: a entrada do país na guerra europeia, em outubro de 1917, motivou Leolinda a apoiar publicamente a mobilização cívica. Suas alunas estavam preparadas para colaborar. Tentou audiência com o Presidente da República sem sucesso, então promoveu o desfile das moças pelas ruas do Rio de Janeiro.
A Noite, 11/11/1917

A Noite, 11/11/1917


Teve uma vida conturbada, de muito trabalho e de opinião. Chamava a polícia para conter os rapazes que assediavam as alunas na saída das aulas e, assim, preservava-lhes a honra. Discutia com cobradores do bonde que a tratavam com desrespeito. A imprensa cobria seus passos, quase sempre com matérias recheadas de sarcasmo.
Candidatou-se à intendência municipal em 1919. Na verdade, era uma anti-candidatura. Coisa em moda naqueles dias. Rui Barbosa já o fizera ao se anti-candidatar à presidência.
A Noite, 24/9/1919

A Noite, 24/9/1919


Não acompanhou a chegada dos novos donos do poder à capital federal em outubro de 1930, e o momento de incerteza que se seguiu. Estava se recuperando de um atropelamento, no início do mês, em uma rua do bairro da Penha. Assim informou o jornal carioca “Diário de Notícias”, em meio à página dedicada ao “Automobilismo”, que trazia anúncios de automóveis à venda e notícias de acidentes.
Diário de Notícias, 11/10/1930

Diário de Notícias, 11/10/1930

Candidatou-se a deputada constituinte na eleição de 1933, defendendo o divórcio e o ensino público. Não se elegeu.
Nos anos seguintes, passou a ser homenageada pela rival de Bertha, a gaúcha Natércia da Silveira, que fundara a Aliança Nacional de Mulheres. Mas a idade e o cansaço fizeram Leolinda se afastar dos eventos públicos e das controvérsias.
Um segundo atropelamento a matou em maio de 1935. Em verdade, a modernidade a atropelou.

O Malho, 9/5/1935

O Malho, 9/5/1935

O Malho, 9/5/1935

O Malho, 9/5/1935

Entrevista com Rachel Soihet

Entrevista com Rachel Soihet

Obras sobre História do Feminismo e das Mulheres no Brasil

Para alguém que deseje se iniciar na historiografia sobre os feminismos e a história das mulheres no Brasil, seguem sugestões de obras fundamentais. Nessa seleção, faltam ainda os livros de Branca Moreira Alves e de Mary Del Priori, de que não dispomos de imagens.
Lembre-se: o feminismo é baseado na consciência dos interesses femininos. Estudar a experiência do passado ajuda muito a pensar o que fazer no presente, conceber estratégias de ação e evitar erros.

João Batista Cascudo Rodrigues: "A mulher brasileira - direitos políticos e civis"Heleieth Saffioti: "A mulher brasileira: opressão e exploração"Heleieth Saffioti: "A mulher na sociedade de classes: mito e realidade"June E. Hahner: "A mulher brasileira e suas lutas sociais e políticas: 1850-1937"
Rachel Soihet: "O feminismo tático de Bertha Lutz"

A ameaça das datilógrafas

Na década de 1910, havia poucas alternativas de emprego para as mulheres. O Censo de 1920 mostrou que a maior parte das moradoras da Capital Federal trabalhava em casas de família, como cozinheiras, babás e lavadeiras. Em segundo lugar, havia as trabalhadoras do comércio, seguidas das trabalhadoras de confecções – as muitas costureiras e bordadeiras. Por fim, muitas trabalhavam nas fábricas têxteis da cidade. As profissionais do ensino, por sua vez, não passavam de 5.000 mulheres, embora ser professora fosse ofício de prestígio, ainda que mal remunerado (sempre foi). Uma diminuta porção das mulheres ativas no mercado de trabalho era de funcionárias do Estado. Ali estavam os empregos que todos cobiçavam, especialmente os homens.
Sabendo disso, a educadora Leolinda Daltro lutou para manter o Instituto Profissional Orsina da Fonseca, onde as moças podiam aprender um ofício, além das disciplinas básicas. A fim de que mais mulheres pudessem disputar postos nas repartições públicas, as alunas cursavam datilografia.

Alunas da Escola Orsina da Fonseca. [O Malho, 24/3/1917]

Alunas da Escola Orsina da Fonseca. [O Malho, 24/3/1917]


Vejam na reportagem abaixo, de outubro de 1911, como o avanço das datilógrafas nas repartições causava todo tipo de reação nos homens: desde a admiração à repulsa (especialmente daqueles que se sentiam atingidos pela competição).
"A Noite", 23/10/1911. Origem: Hemeroteca Digital Brasileira, disponível em

“A Noite”, 23/10/1911. Origem: Hemeroteca Digital Brasileira, disponível em


Quase uma década se passou e a presença das mulheres nas repartições cresceu. A imprensa continuou a cobrir o assunto com ironia e sarcasmo. A reportagem de A Noite enfatiza a dúvida sobre o uso dos atributos femininos: as mulheres estão no mundo do trabalho para seduzir (artifício?) ou para ganhar o pão (necessidade)? As ilustrações da Revista Feminina brincam com a moda dos cabelos curtos e a perturbadora mudança na atitude feminina. Quanto à datilógrafa, a passagem pela repartição é temporária. Seu objetivo mesmo é se casar, diz a revista.
Revista Feminina, n. 127, dez. 1924. Origem: Biblioteca Nacional.

Revista Feminina, n. 127, dez. 1924. Origem: Biblioteca Nacional.

Clique nas imagens!

Ativismo político de mulheres negras nos EUA

No número 633 da Avenida Pennsylvania, coração nobre da capital norte-americana, está situada a sede do “National Council of Negro Women”. Lê-se na placa:
“O Conselho Nacional de Mulheres Negras foi fundado em 1935, por Mary McLeod Bethune (1875-1955), a fim de fortalecer e ampliar a liderança das mulheres afroamericanas. Desde o início, o Conselho fez campanha para tornar ilegal os impostos discriminatórios, desenvolver um programa de saúde pública, adotar legislação anti-linchamentos, e suprimir a discriminação nas Forças Armadas dos Estados Unidos, nas indústrias de defesa e nos programa de habitação do Estado. A mudança do Conselho em 1995 para este grande antigo hotel fez da entidade a única organização afroamericana a possuir uma propriedade na histórica Avenida Pennsylvania, entre o Capitólio e a Casa Branca. O Conselho criou a Celebração nacional da reunião da família negra, em 1986″.

Placa informativa na sede do "National Council of Negro Women", situada na  Avenida Pennsylvania, Washington, D.C.

Placa informativa na sede do “National Council of Negro Women”, situada na
Avenida Pennsylvania, Washington, D.C.

Voltem para casa!!

Nas duas grandes guerras do século XX, as mulheres foram chamadas a colaborar com o esforço militar. Muitas trabalharam na indústria, outras receberam instrução militar mínima. Em menor número, mas, não menos importantes, mulheres atuaram no front de guerra como enfermeiras e pessoal de apoio.
Ao final dos dois conflitos, a mensagem ouvida foi a mesma: _ Voltem para casa! Deixem seus empregos para os soldados que retornam da guerra.
Encerrada a Primeira Guerra, estima-se que cerca de 100 mil mulheres viram-se subitamente desempregadas na Grã Bretanha. Quantas viveram a mesma situação em outros países? Não se sabe ao certo. Sabe-se que os anos 1950 foram bastante conservadores em termos de costumes e rigores da vida familiar. Foi o chamado baby boom dos EUA, ou a expansão da população. Mulheres no lar e homens nas ruas: esse foi o lema daqueles anos.
Clique na imagem para visualizá-la melhor.

Panfleto de propaganda do Partido Trabalhista australiano, anos 1940 Origem: http://john.curtin.edu.au/legacyex/foreign.html

Panfleto de propaganda do Partido Trabalhista australiano, anos 1940
Origem: http://john.curtin.edu.au/legacyex/foreign.html

Jornal “A Família”: ano de 1894

Jornal “A Família”: ano de 1893

Jornal “A Família”: ano de 1890

Exemplares do jornal A Família, editado por Josephina Álvarez de Azevedo. Durante o ano de 1890, Josephina continuou a campanha pelo sufrágio feminino no seu jornal.

[Origem: Hemeroteca Digital Brasileira; disponível em http://hemerotecadigital.bn.br]

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