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A professora Leolinda Daltro

Uma das mulheres mais interessantes da Primeira República foi a professora Leolinda Daltro. Nascida na Bahia, Leolinda veio para o Rio de Janeiro com os filhos e buscou viver do ofício do magistério. Não suficiente acreditar profundamente no papel revolucionário da educação, a professora abraçou a causa da proteção (laica) aos indígenas.
Se os constituintes de 1891 negaram às mulheres brasileiras o direito de votar porque não serviam militarmente à pátria (Eis um dos argumentos contrários!), Leolinda instruía suas alunas do Instituto Orsina da Fonseca a atirar. Se os congressistas de 1891 negaram o sufrágio às mulheres, as alunas do Instituto aprendiam datilografia e, assim, podiam concorrer a empregos públicos (para horror dos homens!). A escola ficava na rua General Câmara, nº 387, próximo à Central do Brasil. Hoje, essa rua, como muitas na região, não existe mais; deu lugar à Avenida Presidente Vargas.

Gazeta de Notícias, 21/1/1916

Gazeta de Notícias, 21/1/1916

Gazeta de Notícias, 28/4/1917. Origem: http://hemerotecadigital.bn.br/

Gazeta de Notícias, 28/4/1917. Origem: http://hemerotecadigital.bn.br/

E mais: a entrada do país na guerra europeia, em outubro de 1917, motivou Leolinda a apoiar publicamente a mobilização cívica. Suas alunas estavam preparadas para colaborar. Tentou audiência com o Presidente da República sem sucesso, então promoveu o desfile das moças pelas ruas do Rio de Janeiro.
A Noite, 11/11/1917

A Noite, 11/11/1917


Teve uma vida conturbada, de muito trabalho e de opinião. Chamava a polícia para conter os rapazes que assediavam as alunas na saída das aulas e, assim, preservava-lhes a honra. Discutia com cobradores do bonde que a tratavam com desrespeito. A imprensa cobria seus passos, quase sempre com matérias recheadas de sarcasmo.
Candidatou-se à intendência municipal em 1919. Na verdade, era uma anti-candidatura. Coisa em moda naqueles dias. Rui Barbosa já o fizera ao se anti-candidatar à presidência.
A Noite, 24/9/1919

A Noite, 24/9/1919


Não acompanhou a chegada dos novos donos do poder à capital federal em outubro de 1930, e o momento de incerteza que se seguiu. Estava se recuperando de um atropelamento, no início do mês, em uma rua do bairro da Penha. Assim informou o jornal carioca “Diário de Notícias”, em meio à página dedicada ao “Automobilismo”, que trazia anúncios de automóveis à venda e notícias de acidentes.
Diário de Notícias, 11/10/1930

Diário de Notícias, 11/10/1930

Candidatou-se a deputada constituinte na eleição de 1933, defendendo o divórcio e o ensino público. Não se elegeu.
Nos anos seguintes, passou a ser homenageada pela rival de Bertha, a gaúcha Natércia da Silveira, que fundara a Aliança Nacional de Mulheres. Mas a idade e o cansaço fizeram Leolinda se afastar dos eventos públicos e das controvérsias.
Um segundo atropelamento a matou em maio de 1935. Em verdade, a modernidade a atropelou.

O Malho, 9/5/1935

O Malho, 9/5/1935

O Malho, 9/5/1935

O Malho, 9/5/1935

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