Ações

Ca∫teel Keulen

De Atlas Digital da América Lusa

Coleção Levy Pereira


Ca∫teel Keulen

'Fort Ceulen' no MBU.

Fortaleza na barra do 'Potĩjĩ ou Rio grande' (Rio Potengi).


Natureza: fortaleza.


Mapa: PRÆFECTURÆ DE PARAIBA, ET RIO GRANDE.


Capitania: RIO GRANDE.


Nomes históricos: Forte (Fortaleza) dos Reis Magos (Reis, Reys); Forte (Fortaleza) do Rio Grande, Ca∫teel (Fort) Keulen (CԐulԐn, Ceulen); Peculem.


Nome atual: Forte dos Reis Magos.


Nota:

Sua construção foi iniciada por ordem do Capitão-Mor de Pernambuco, Manoel de Mascarenhas Homem, em 1598, no dia 6 de janeiro, dia consagrado aos Santos Reis, sobre os arrecifes situados nas redondezas da chamada Boca da Barra.

Ocupada pelos neerlandeses de 12 de Dezembro de 1633 a Fevereiro de 1654, com o nome Castelo Ceulen (Kasteel Keulen), homenagem a Matthijs van Ceulen, um dos dirigentes da WIC no Brasil, que acompanhou pessoalmente a sua tomada.

Citações:

►Mapa RG-N (Albernaz, 1626/1627), plotado como 'O FORTE', na 'Barra do Rio Grande', foz do 'Rio Puttigi'.

Este mapa mostra, em desenho á parte, a 'PRANTA DO FORTE QVE DEFENDE A BARRA DO RIO GRANDE'.

(Moreno, 1612), PG. 77-78 fornece muitos detalhes da 'fortaleza dos Reis' a explicita as razões estratégicas para sua construção.

Há transcrição em portugues contemporâneo do texto de Moreno entitulado 'RIO GRANDE, CAPITANIA DE SUA MAGESTADE', em (Galvão, 1977), pg.253-256.

►Mapa RG (IAHGP-Vingboons, 1640) #51 CAPITANIA DE RIO GRANDE, plotado como forte, 'F. CԐulԐn', na barra do, 'Rio Gran∂e'-'Rº. Potozÿ'.

►Mapa Y-51 (4.VEL Y, 1643-1649) De Cust van Brazil tusschen Rio Jan desta en cabo Roques, plotado somente com o símbolo, na barra do 'Rio Gran∂e'.

►Mapa CE-RG (Orazi, 1698) PROVINCIE DI SEARÁ E RIO GRANDE, plotado sem símbolo, 'Peculem', entre 'R. Peringy' (Rio Pirangi) e 'Cabo Negro' (Ponta Negra).

(Verdonck, 1630), pg. 46:

"§ 21.º - O FORTE DO RIO GRANDE CHAMADO DOS TRÊS REIS MAGOS - Da cidade do Rio Grande ao forte chamado os Três Reis Magos há apenas a distância duma pequena meia milha, e esse forte é o melhor que existe em toda a costa do Brasil, pois é muito sólido e belo e está armado com 11 canhões de bronze, todos meios-canhões, muitas colubrinas e ainda 12 ou 13 canhões de ferro, estes porém imprestáveis; na entrada do mesmo forte há também 2 peças e daí chega-se ao paiol da pólvora; as muralhas podem ter de 9 a 10 palmos de espessura e são dobradas, tendo o intervalo cheio de barro; ordinariamente há poucos víveres no forte, porque entre esses portugueses não reina muita ordem; a guarnição consta habitualmente de 50 a 60 soldados pagos e com a maré cheia o forte fica todo cercado d'água, de modo que ninguém dele pode sair nem nele pode entrar. ".

(Laet, 1637):

@ Interrogação de Bartolomeu Peres, e situação ao redor e perto de Pernambuco, tanto ao sul como ao norte, pg. 121:

"Rio Grande tem uma fortaleza com 9 peças de metal em função e também com algumas peças de ferro fundido. As peças de metal apontam o porto. A fortaleza, solidamente construída sobre um recife, não pode ser tomada pela força; mas a água doce deles pode-lhes ser cortada, uma vez que a procuram do outro lado do rio em outro riacho, que desemboca no mar ao norte, a uma distância de dois tiros de mosquete. Nesse local, a gente do castelo o tem tapado, desviando-o para o castelo. Depois de tapar a desembocadura, ele voltaria a correr pelo leito antigo. Também recebem todas suas vitualhas da terra, trazendo-as com botes. As peças também não estão bem montadas; deveria ser atacada com grande coragem. No castelo haverá uns 40 homens. Perto dele há um monte de areia; dele, depois de fortificá-lo com tábuas e provê-lo com canhões, poder-se-ia disparar sobre a gente do castelo com peças e mosquetes, para intimidá-los totalmente.".

@ Descrição da costa do noroeste de Brasil entre Pernambuco e Rio Camocipe, do Relatório dos brasilianos, depoimento prestado antes de 1633, ano da tomada desse forte pelos neerlandeses, pg. 137:

"A cinco léguas de Pirangi há um grande rio: Rio Grande, e em brasiliano chama-se Potengi;1 onde na entrada a beira do rio e do lado de Pirangi está uma fortaleza construída de pedra com uma guarnição de 40 soldados e 9 peças de metal. Mas, segundo o piloto que esteve preso na Paraíba durante 33 meses,2 conta com 80 soldados e 29 peças. É preciso conquistar este lugar. Com os navios é possível chegar-se bem perto do castelo. A muralha está fundada no chão e a artilharia fica tão alta que será possível postar-se abaixo dela para demolir a muralha; o inimigo não poderia fazer mais dano que atirar pedras. A porta da fortaleza deve ser escalada por meio de uma escada. Perto dela há uma aldeia de oito casas de portugueses, além da igreja.

1 No manuscrito: Poterug.

2 Ver [223]: Declaração de Assuerus Cornelisz, preso na Paraíba de 14 de outubro de 1625 até 16 de maio de 1628.".

(Medeiros, 1998):

@ O LITORAL POTIGUAR EM 1628, SEGUNDO GASPAR PARAUPABA E OUTROS INDÍGENAS, comentando o documento acima citado, de outra fonte (tradução), pg. 16-17-19:

"Aos 20 de março de 1628, cinco indígenas brasileiros compareceram perante o notário Kilian van Renselaer, com a finalidade de prestarem informações detalhadas da costa nordestina brasileira, aos seus amigos neerlandeses. No tocante ao litoral da Capitania do Rio Grande, aqueles silvícolas assim o descreveram (1):

...

Potiug ou Rio Grande, um grande rio com um castelo sobre a costa (este, bem próximo da margem, provido de nove canhões de metal e 40 soldados. Um lugarejo com 8 casas e uma igreja, habitado por gente do engenho de açúcar, a saber: 5 portugueses e alguns negros. Os navios podem chegar muito perto do castelo. Isto está a 5 léguas de Pirangu.'

O rio Potengi, em cuja barra fora construída a fortaleza dos Santos Reis Magos. O lugarejo correspondia a Natal.

...

Os cinco indígenas autores dessas informações, chamavam-se: Gaspar Paraoupaba, do Ceará, 50 anos; Andreus Francisco, também do Ceará, 32 anos; Píeter Poty, Antony Francisco e Lauys Caspar, todos eles moradores em Baia da Traição, na Paraíba.

(1) GERRITSZ, Hessel • Jornaux et Nouvelles, etc,, pp. 171-173.".

(Nassau-Siegen; Dussen; Keullen - 1638), pg. 122-123:

"Aos fortes da Paraíba segue-se, para o Norte, o Castelo Ceulen, no Rio Grande, situado sobre o arrecife de pedra na entrada da barra. Construído de pedra de cantaria, é muito elevado, e tem muito grossas e fortes muralhas. Na frente, para o lado de terra, tem uma forma de hornaveque, isto é, uma cortina com dois meios baluartes e provido, segundo o velho estilo, de orelhões e casamatas. Diante dos outros três lados há tenalhas.

Este forte está sujeito às altas dunas que lhe ficam a tiro de arcabuz, e são tão elevadas que delas se pode ver pelas canhoneiras o terrapleno, e daí tirar à bala o sapato dos pés aos do castelo. Quando nós o cercamos, assentamos a nossa artilharia sobre as dunas, e fizemos um fogo tal que ninguém podia permanecer na muralha. Mas este defeito foi remediado, levantando-se sobre a muralha da frente, contra o parapeito de pedra, um outro de terra a prova de canhão, e com isto todo o forte da parte de cima está coberto e resguardado.

E como de maré cheia este forte fica cercado de água, e tem de resistir ao embate do mar, está um pouco danificado na parte inferior, o que se reparará construindo-se de pedra e cal uma nova base.

O Castelo está bem provido de artilharia: além das peças que nele foram tomadas, puseram-lhe mais duas de calibre 4, que estavam nas caravelas que achamos no rio, quando o fomos cercar.".

(Câmara Cascudo, 1956), pg. 244 :

"Na primeira curva está o CASTEEL KEULEN, castelo de Keulen (67), a fortaleza dos Reis magos, vencida a 12 de dezembro de 1633 e rebatizada com o prestigioso nome de um dos Delegados da Companhia Privilegiada das Índias Ocidentais.".

(Galvão, 1977), HISTÓRIA DA FORTALEZA DA BARRA DO RIO GRANDE. Essa monografia é considerada, segundo abalizados historiadores, o mais completo compêndio sobre essa fortaleza.

(Matsuura, 2011), pg.124:

"O eclipse de número 4, de 14 para 15 de abril de 1642, foi observado por Marcgrave não do Recife, pois ele estava numa expedição, mas do Forte Ceulen (Fig. 68), a atual Fortaleza dos Reis Magos, em Natal, RN, na foz do Potengi, conhecido então como Rio Grande, que deu nome à capitania e ao atual Estado. Também em Natal a visibilidade desse eclipse foi total. As observações foram feitas com um sextante portátil de 0,5 m, aquele que era montado no martelo polonês. O tempo, que tinha sido bom até o primeiro contato da Lua com a sombra, tornou-se chuvoso. O eclipse só pôde ser observado quando a Lua já estava obscurecida 10 dígitos (-83%), mas o início da totalidade pôde ser bem observado. Depois nuvens impediram a observação até o fim da totalidade. Em seguida o céu abriu novamente até o fim do eclipse. A altura da Lua era favorável às observações. Marcgrave mediu a altura de Procyon, Antares e a do Sagitário nos instantes críticos. Desta vez o número de observações foi menor e a média do erro temporal foi +3 minutos e 6 segundos indicando uma tendência de a observação ser atrasada. Talvez essa inversão de tendência em relação ao eclipse de número 2 esteja ligada a condições desfavoráveis do tempo.".






Citação deste verbete
Autor do verbete: Levy Pereira
Como citar: PEREIRA, Levy. "Ca∫teel Keulen". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/atlas/Ca%E2%88%ABteel_Keulen. Data de acesso: 14 de outubro de 2019.


Baixe a referência bibliográfica deste verbete usando

BiblioAtlas recomenda o ZOTERO

(clique aqui para saber mais)



Informar erro nesta página