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Caminho das Tropas

De Atlas Digital da América Lusa

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Em 1732, [[Cristóvão Pereira de Abreu]] atingia [[Curitiba]] vindo de [[Viamão]], por onde se metera para abrir o caminho em 1731. Ele chegou com uma volumosa [[tropa]], sendo, além de “fundador”, o primeiro negociante de gados a cruzar aquele percurso. Foi apenas o começo de uma rota que testemunharia, ao longo dos anos seguintes, uma enorme movimentação de animais. O caminho vinha sendo aberto desde 1727, por [[Francisco de Souza e Faria]] sob ordem do Governador de São Paulo [[Antonio da Silva Caldeira Pimentel]]. O mesmo governador teria criado, em fevereiro de 1732, o [[Registro de Curitiba]], instituição que controlaria a [[cobrança dos impostos]] de circulação de animais naquele novo caminho.
 
Em 1732, [[Cristóvão Pereira de Abreu]] atingia [[Curitiba]] vindo de [[Viamão]], por onde se metera para abrir o caminho em 1731. Ele chegou com uma volumosa [[tropa]], sendo, além de “fundador”, o primeiro negociante de gados a cruzar aquele percurso. Foi apenas o começo de uma rota que testemunharia, ao longo dos anos seguintes, uma enorme movimentação de animais. O caminho vinha sendo aberto desde 1727, por [[Francisco de Souza e Faria]] sob ordem do Governador de São Paulo [[Antonio da Silva Caldeira Pimentel]]. O mesmo governador teria criado, em fevereiro de 1732, o [[Registro de Curitiba]], instituição que controlaria a [[cobrança dos impostos]] de circulação de animais naquele novo caminho.
  
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Edição de 11h02min de 8 de abril de 2019

por Tiago Gil
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Caminho aberto na primeira metade do século XVIII e que serviu de passagem para a produção de animais do sul da América Lusa em direção à Capitania de São Paulo, Minas e outras regiões.

História

Em 1732, Cristóvão Pereira de Abreu atingia Curitiba vindo de Viamão, por onde se metera para abrir o caminho em 1731. Ele chegou com uma volumosa tropa, sendo, além de “fundador”, o primeiro negociante de gados a cruzar aquele percurso. Foi apenas o começo de uma rota que testemunharia, ao longo dos anos seguintes, uma enorme movimentação de animais. O caminho vinha sendo aberto desde 1727, por Francisco de Souza e Faria sob ordem do Governador de São Paulo Antonio da Silva Caldeira Pimentel. O mesmo governador teria criado, em fevereiro de 1732, o Registro de Curitiba, instituição que controlaria a cobrança dos impostos de circulação de animais naquele novo caminho.


Logo nos seus primeiros anos o caminho já foi amplamente utilizado. Um documento de finais do século XVIII [1] estima que entre janeiro de 1734 e setembro de 1747, o rendimento foi de 42:326$580 (mais de 4 contos de réis). Considerando-se que o tributo pago nesta época, tanto para cavalos como para mulas, era de 1$000, pode-se concluir que passou o equivalente a mais de 42000 animais, ao longo de treze anos e alguns meses, numa média aproximada de 3200 anuais. Entre outubro de 1747 e setembro de 1759, quando o rendimento foi dividido em dois, metade para a Real Fazenda, metade para Cristóvão Pereira de Abreu como mercê por seus feitos, o rendimento da metade da Real Fazenda foi de 84:396$810. Para este período há uma listagem de tropas, individualmente listadas e descritas, relativa ao ano de 1751, que registrou a passagem de 9502 cabeças de gado. Neste contexto também já operavam os Registros de Sorocaba e Viamão. Viamão já possuía uma Guarda que recolhia tributos desde antes de 1740. O Registro de Sorocaba foi instituído em 1750 já com uma importância capital. Era naquela cidade que se desenvolvia o maior comércio de animais da rota, com a redistribuição das bestas para diversas localidades. Este período também ficou marcado pela existência de grandes tropas. Um exemplo disso seriam as tropas pertencentes a Francisco de Vila Lobos. Ele recebeu autorização de Madrid para montar uma tropa em territórios espanhóis, com destino às minas do Brasil, de 3824 mulas, ainda que tenha tentado comprar mais de oito mil, sendo descoberto antes disso. Para 1751 ainda encontramos referência a uma tropa que teria “cinco mil bestas”, e uma outra, de igual grandeza, para o ano seguinte. (Gil, 2007)


Referências

  1. (Arquivo Nacional. Códice 448. Vol. 05. p. 54.)



Citação deste verbete
Autor do verbete: Tiago Gil
Como citar: GIL, Tiago. "Caminho das Tropas". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/atlas/Caminho_das_Tropas. Data de acesso: 23 de outubro de 2019.



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