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Ilha Grande de Joanes

De Atlas Digital da América Lusa

Edição feita às 17h07min de 17 de outubro de 2012 por Tiagogil (disc | contribs)

A Ilha Grande de Joanes, atual Ilha de Marajó, é uma Ilha fluvial na foz do Rio Amazonas. Território estratégico à época da colonização, foi constituída Capitania Hereditária pelo rei de Portugal, D. Afonso IV, através da Carta Régia de 23 de dezembro de 1665, sendo seu primeiro donatário António de Sousa de Macedo, Secretário de Estado daquele Rei, que dela tomou posse, por seu procurador, em 2 de dezembro de 1667. Luís Gonçalo, filho único de Antônio Macedo, além de herdeiro, foi feito barão a 27 de Setembro de 1666.[1] Os limites da capitania eram "desta ponta de terra firme em que está a Çid.e do pará, ao cabo do norte da outra banda, dizem Serão Seçenta Legoas, poresta parte do Pará corre o Rio deste nome, e pella outra odas Amazonas, ficando nomeyo a dita Ilha, correndo Rumo direito pella costa domar com a terra firme destas duas pontas, estendendose a dita Ilha pª. o sertão dizem que oitenta Legoas de comprido athe a ffortaleza do Gorupá, Cituada na boca do Rio das Amazonas; tera a dita Ilha emparte vinte e trinta Legoas, e mais de largo"[2], que incluíam ilhas menores ao redor da Ilha Grande e algumas partes que hoje sabe-se serem continentais.

A região que constituía a Capitania de Joanes era continuamente disputada entre Portugal e outras nações européias. O conflito de interesses com os franceses era um dos mais preocupantes na região, mas não foi o único; além da proximidade que os holandeses tinham com as nações indígenas da Ilha. Os portugueses também combatiam ingleses e irlandeses, que foram mortos ou presos a partir do pequeno forte de Belém, entre 1623 e 1632, com o apoio ou o confronto das populações indígenas[3].

O governador do Estado do Grão-Pará e Maranhão, Luís Vasconcelos de Siqueira, e o capitão-mor do mesmo, Aires de Souza Chichorro, queriam a constituição de uma capitania da Ilha, pois era um local com muitos gentios, bons pastos naturais para criação de gado e que exigiria pouca despesa. Sugeriam também que, nos primeiros anos, se aproveitasse os bois para trabalhar nos engenhos e, depois, do respectivo couro, como se fazia na ilha de Santo Domingo; e que os indígenas da ilha fizessem parte das doações também, com o intuito de se criar vilas e ocupar melhor o território.

Consideravam a ilha como um local estratégico para a penetração através do Rio das Amazonas. Apontam ainda como vantagem da Ilha nela habitarem índios de várias nações, entre os quais destaca os Joanes, que já estavam ocupados no pesqueiro régio – o qual rendia anualmente cerca de 600 mil réis – e afirmavam que nalgumas das nações reconheciam o caráter belicoso “que as nossas Armas emsinarão pellas muitas vezes que lhe forão dar guerra, e sempre com menos ventagem da nosa parte”, pois a configuração geográfica favorecia os próprios habitantes pelo fato de os sertões serem cortados por muitos rios “e deffensaveis por natureza” [4].

Após a morte do pai, Luís Gonçalo fez uma doação de terras daquela Ilha aos Capuchos de Santo Antônio, que tinham chegado ao Pará com a incumbência de catequizar os silvícolas dos sertões da Província. A doação foi efetuada a 6 de fevereiro de 1696 [5], compreendendo a Ilha de Santana, na Foz do Rio Arari, sendo duas léguas de terras na margem esquerda deste rio, começando no igarapé Murucutú para cima, e três léguas na margem oposta. Há indícios de Luís Gonçalo ter feito uma segunda doação em 1726, porém não encontramos o que comprove essa doação. [6]

A capitania da Ilha Grande de Joanes seria posteriormente reunida aos limites da Coroa de Portugal. Há documentos do Projeto Resgate que falam sobre a venda da donataria para a Coroa, por Luis de Sousa Macedo, em 1754. Os documentos[7] não estão em bom estado, sendo muito penosa a leitura, porém há partes nas quais conseguimos ler sobre valores de venda e juros, além da troca de títulos, de Barão da Ilha Grande de Joanes para Barão de Mesquitela e algumas outras mercês que foram feitas para compensar a reincorporação da Ilha Grande de Joanes à Coroa, ficando sob o governo da capitania e comarca do Grão Pará. Luís Gonçalo foi autor do livro "Títulos das Famílias de Portugal", em 6 volumes, cinco dos quais se acham na Biblioteca Nacional de Lisboa.

Referências

  1. as informações acerca de nomes e datas foram retiradas do texto MACEDO, Pedro da Costa de Sousa de; MOTTA, Edilson Nazaré Dias. António de Sousa de Macedo, capitão geral e governador da ilha de Joanes. Actas do Congresso Internacional Atlântico de Antigo Regime: poderes e sociedades. Porém a fonte mais antiga que temos que comprovem a existência da capitania é de 1673 e está na coleção Projeto Resgate do Arquivo Ultramarino de Lisboa. Há documentos anteriores, desde 1647, que já indicam o conhecimento da região e a toponímia portuguesa.
  2. MACEDO, Pedro da Costa de Sousa de; MOTTA, Edilson Nazaré Dias. António de Sousa de Macedo, capitão geral e governador da ilha de Joanes. Actas do Congresso Internacional Atlântico de Antigo Regime: poderes e sociedades. p. 05
  3. Há documentos de 1645 que afirmam a amizade entre indígenas da Iha e holandeses. Tais nações indígenas aprisionavam sobreviventes portugueses de naufrágios e batalhas.
  4. MACEDO, Pedro da Costa de Sousa de; MOTTA, Edilson Nazaré Dias. António de Sousa de Macedo, capitão geral e governador da ilha de Joanes. Actas do Congresso Internacional Atlântico de Antigo Regime: poderes e sociedades. p. 05
  5. http://dariopedrosa.com/?p=2225 segundo a fonte, a data é 1896, porém acredita-se que houve erro de digitação, aqui ele foi arrumado
  6. http://dariopedrosa.com/?p=2225 [acessado em 07-09-2012]
  7. AHU_ACL_CU_013 cx. 36, D. 3416.


Autor do Verbete: Luiza Moretti