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N S. đ Candas (Engenho de roda d'água)

De Atlas Digital da América Lusa

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Coleção Levy Pereira


N S. đ Candas

'Conhao' no MBU.

Engenho de roda d'água com igreja, no vale do 'Curematai' (m.e. do rio Curimatau) - Engenho Nossa Senhora das Candeias.

Na capela desse engenho ocorreu o massacre do Cunhaú, em 16/6/1645, perpretado por neerlandêses e seus aliados.


Natureza: Engenho de roda d'água com igreja.


Mapa: PRÆFECTURÆ DE PARAIBA, ET RIO GRANDE.


Capitania: RIO GRANDE.


Jurisdição: Prefeitura do Rio Grande.


Nomes históricos: N S. đ Candas; Engenho Nossa Senhora das Candeias; Ԑngԑnho Conhao; Engenho Cunhaú (Conhau; Conhao; Conhaou).


Nome atual: Fazenda Cunhau. Não mais existe como engenho - resta, preservada, a capela.

Os mapas BQPPB, PB (IAHGP-Vingboons, 1640) #49 e RG (IAHGP-Vingboons, 1640) #51 mostram a levada (canal para condução de água) do Rio Piquiri até o engenho, para impulsão de sua roda d'água.

Citações:

►Mapa PB (IAHGP-Vingboons, 1640) #49 CAPITANIA DE PARAYBA - plotado como com símbolo de engenho, 'Ԑngԑnho Conhao', na m.e. do 'R. Conhao'-'R Carwataugh'.


►Mapa RG (IAHGP-Vingboons, 1640) #51 CAPITANIA DE RIO GRANDE - plotado com símbolo de engenho, 'Ԑngԑnho Conhao', na m.e. do 'R. Canhao'-'R. Carwataugh'.


►Mapa PB (Orazi, 1698) PROVINCIA DI PARAIBA - plotado com símbolo de engenho, 'Ԑngenho conhao', na m.e. do 'R. Canhao'-'R. Caruuatangh'.


(Verdonck, 1630), pg. 45:

"§ 19.º - CUNHAÚ - Três milhas acima de Camaratuba existe ainda um engenho, no lugar chamado Cunhaú, o qual faz anualmente de 6 a 7.000 arrobas de açúcar; esse lugar está sob a jurisdição do Rio Grande e ali moram uns 60 ou 70 homens com suas famílias; meia milha distante desse engenho corre um rio, de três milhas de longo e meia milha de largo, onde as barcas iam carregar açúcar, de 100 a 110 caixas cada barca, e traziam dali também comestíveis; há ali, também, muito gado, farinha e milho que ordinariamente é trazido para Pernambuco com o açúcar. ".


►Dagelikse Notulen, Volume 3, Ano 1637, MONUMMENTA HYGINIA:

"15 de junho Vendido à o senhor George Gaesman, Sargento-Major, e Baltazar Wijntjes, da companhia o engenho em Conhaou, que pertenceu à Antonio de Albuquerque, junto com todas as terras, plantações de cana, pastos, bosques, casas, e outros edifícios do mesmo que pertenciam a Albuquerque, juntando a isso 30 negros e 20 pares de bois, como hoje eles se encontram neste engenho ou à ele serão juntados. Os compradores pagarão para isto uma soma de 60000 florins, que deverá ser pago em seis pagamentos em seis anos consecutivos. O primeiro pagamento será em ... de junho 1638 e ultimo cairá em 6 1643, e cada pagamento será exatamente 1/6 do total. Uma vez que os pagamentos tenham sido feito os compradores receberão uma transferência que descreve o engenho e tudo que nele se encontra e os compradores passarão à ser donos e mestres deste engenho. O que implica que os compradores não estão mais obrigados a cumprirem com esta soma, com relação à este engenho E tudo que nele se encontra, e em geral e sua pessoa, "Im Solidum renuncirende Exceptie mibus ordines, diviscores et excus siones", e todos os seus pertences deste momento e no futuro, submetendo estes a todos os direitos e a justiça.".


(Nassau-Siegen; Dussen; Keullen - 1638), pg. 95:

"1. Engenho Cunhaú, que pertenceu a Antônio de Albuquerque; foi confiscado e vendido ao Sargento-mor George Gartzman e ao Sr. Balthasar Wyntgis; mói. ".


(Dussen, 1640), pg. 176:

"166) Engenho Cunhaú, pertencente a Willem Beck e Hugo Graswinckel, é engenho d'água e mói. São lavradores:

George Grastman van Werve 30 tarefas

Domingos Carvalho 40

Pero Gomes 30

Pero Xara Ravasco 10

________________

110 tarefas".


(Câmara Cascudo, 1968), pg. 85:

"CUNHAU:- ... De cunhã-u, bebedouro, aguada das mulheres. ...".


(Medeiros, 1993), CAPÍTULO UM ― HISTÓRICO DO ENGENHO CUNHAÚ - A FAMÍLIA ALBUQUERQUE MARANHÃO:

@ pg. 7-8:

"A história do Engenho Cunhaú funde-se com a própria história da Capitania do Rio Grande. Ocorrendo o desembarque da esquadra trazida por Manuel Mascarenhas Homem, no dia 26 de dezembro de 1597, teve então início a reconquista do território aos franceses.

Um dos destacados participantes daquela reconquista foi o mameluco Jerônimo de Albuquerque, filho de outro Jerônimo de Albuquerque e da índia Maria do Espírito Santo Arcoverde. Jerônimo, que veio a ser o segundo capitão-mor do Rio Grande (1603-1610), celebrizou-se posteriormente na conquista do Maranhão, no ano de 1614. Jerônimo recebeu a graça de acrescentar ao seu nome o apelido Maranhão, por mercê do rei d. Filipe II de Castela, que acumulava a coroa de Portugal (1). Sobre a genealogia dos Albuquerque, nos dá notícia ANTÔNIO JOSÉ VICTORIANO BORGES DA FONSECA, autor da Nobiliarquia Pernambucana.

Quando capitão-mor e governador do Rio Grande, Jerônimo de Albuquerque concedeu aos filhos Antônio e Matias de Albuquerque uma data e sesmaria, a qual tomou o número de ordem 65 por ocasião do Auto realizado a 21 de fevereiro de 1614, referente ao levantamento das terras até então concedidas naquela capitania:

"Ha data sesenta e sinco deu jeronimo dalboquerque a seu filho antonio dalboquerque em dous de maio de seis sentos e quatro e asim a mathias dalboquerque, a qual data he sinco mil braças de terra em quadra na varze de cunhaú comesando a medir donde entra a ribeira de piquis em curumataú, desta terra se cuidou no principio pella grandeza das varzeas, e boas e muitas aguoas que se podião fazer nellas sinco ou seis emgenhos de açuquar. Andando ho tempo mostrou a esperiençia não ser a terra toda boa para cannas por se averem plantado na dita varzea em alguas partes sen naser por a çequidão da terra, e outra por ser muito alaguada, todavia alem do emgenho que hoje tem feito jeronimo dalboquerque e de aguoa se pode ainda fazer outro de agoa tão bem, pera o qual tem ya atirado o liuel e vay prantar cannas" (2).

O engenho construído por Jerônimo de Albuquerque recebeu a denominação de Engenho de Cunhaú, e era movido a água corrente, um engenho real, segundo a terminologia da época. Localizado no atual município de Canguaretama-(RN), o topônimo Cunhaú ainda sobrevive até os nossos dias.

...

O padre SERAFIM LEITE, autor da História da Companhia de Jesus no Brasil, transcreve um documento de 1607, cujo provável autor foi o padre Gaspar de Sampére, no qual são descritas as várzeas da Capitania do Rio Grande. Depois de referir-se à várzea de Camaratuba, onde já fora levantado um engenho de açúcar, aquele missivista de 1607 descreve uma segunda várzea, que "é a de Corimataí na qual se faz também outro ingénio, tem terras, águas, lenhas e tudo necessário para oito ingénios" (3).

@ pg. 11:

"No ano de 1625, foram levados para a Holanda alguns indígenas nordestinos, dentre os quais Gaspar Paraupaba, André Francisco, Pedro Poti, Antônio Guirawassauai, Antônio Francisco e Luís Gaspar. Tais silvícolas prestaram, aos 20 de março de 1628, perante o notário KILIAN VAN RENSELAER, uma "Declaração", em que deram importantes informações sobre o território nordestino, de Pernambuco ao Ceará. Informaram a respeito da população, das riquezas naturais, dos acidentes geográficos, das distâncias entre os diversos lugares litorâneos.

Gaspar Paraupaba e seus companheiros assim descreveram a região e o engenho dos Albuquerque Maranhão:

"CUREMATAU, um grande rio que se pode subir até longe com um iate, tem um engenho de açúcar a três léguas do mar. A uma légua de Guartapô (4).".

@ pg. 13:

"Nota (de José Antônio Gonsalves de Mello, neto): Conf. BD p. 158 n° 1 — O Engenho Cunhaú que havia pertencido a Antônio de Albuquerque foi confiscado pela WIC e vendido em 15 de junho de 1637 ao sargento-mor George Gartsman e ao Conselheiro Político Balthasar Wijntges com todas as suas terras, canaviais, pastagens, matas, com todas as casas e construções, 30 negros e 20 pares de bois, pelo preço de 60.000 florins. (Dag. Notule de 15 de junho de 1637; posteriormente Gartsman e Wijntges venderam-no a Willem Becx ou Beck e Hugo Graswinckel. Este, em 1642, vendeu a sua parte a Mathijs Becx ou Beck" (7).

Aos 16 de julho de 1645, ocorreu no Engenho Cunhaú o massacre perpetrado por tapuias Janduís, comandados pelo alemão Jacob Rabbi, onde pereceram dezenas de moradores portugueses. De tal episódio, frei RAFAEL DE JESUS nos deixou um relato, constante do seu livro Castrioto Lusitano (8). JOAN NIEUHOF, do partido holandês, também faz referência ao Massacre de Cunhaú (9). Pelo relato de Nieuhof, à época do massacre, Cunhaú pertencia a Gonsalvo d'O1iveira. No dia 16 de maio de 1647, Cunhaú foi incendiado pelo Sargento-mor Antônio Dias Cardoso, quando o flamengo estava em preparativos para a moagem do engenho. Era a aplicação da política de "terra arrasada", que vinha sendo empregada nas várzeas de Pernambuco.".

@ pg. 20:

"(1) BORGES DA FONSECA, Antônio José Vitoriano - NobiIiarchla Pernambucana, vol. I, pág. 9.

(2) Traslado do auto da repartição das terras da Capitania do Rio Grande, aos 21 dias do mês de fevereiro do ano de 1614, págs. 37 e 38.

(3) LEITE, Pe. Serafim - História da Companhia de Jesus no Brasil, tomo I, pág. 557. (4) GERRITSZ, Hessel - Jornaux et nouvelles tirées de la bouche de marins holandais et portugais de la navigation aux Antiles et sur les côtes du Brésl, pág. 171.

....

(7) DUSSEN, Adriaen van der - Relatório sobre as Capitanias conquistadas no Brasil pelos Holandeses (1639) - Suas condições econômicas e sociais, pág. 79.

(8) JESUS, Frei Rafael de - Castrioto Lusitano, Pág. 163.

(9) NIEUHOF, Joan - Memorável Viagem Marítima e Terrestre ao Brasil, págs. 89, 190, 256 e 262.".


(Medeiros, 1998), "16 DE JULHO DE 1645 - O MASSACRE DO ENGENHO CUNHAU", pg. 105-109, historia o massacre ocorrido nesse engenho.


(Cabral de Mello, 2012):

@ pg. 169-171, Os engenhos de açúcar do Brasil Holandês, IV - Capitania do Rio Grande:

«2) CUNHAÚ. Invocação Nossa Senhora do Rosário. Sito à margem esquerda do Curimataú. Engenho d'água, levantado por Jerônimo de Albuquerque Maranhão em sesmaria que, como capitão-mor do Rio Grande do Norte, concedera aos filhos. Construído antes de 1609, pois naquele ano há referência a ele e a que "tem muitas canas em terras que achou para o dito efeito". Quando da ocupação holandesa, o Cunhaú pertencia aos filhos de Jerônimo, Antônio e Matias de Albuquerque Maranhão, que, com a derrota da resistência, retiraram-se da capitania, Antônio fixando-se em Lisboa e Matias no Rio de Janeiro. Em 1636, Balthasar Wijntges, membro do governo do Recife, e George Grastman, comandante da milícia no Rio Grande do Norte, solicitaram que, já tendo sido

"alguns engenhos [...] provisoriamente adjudicados [...] seria conveniente que ali [em Cunhaú] fossem colocadas pessoas de nossa nação, capazes e fiéis, com os quais se possa contar em caso de urgência (como o de invasão inimiga partindo destas paragens), ocupando-se toda esta região com número suficiente de soldados, o que não poderíamos fazer na hipótese de se mandarem portugueses para lá."

O governo do Recife concordou em que Wijntges e Grastman explorassem provisoriamente o engenho, enquanto um representante da WIC se encarregaria de inventariá-lo. Wijntges e Grastman comprometeram-se a incorrer nas despesas para repô-lo a safrejar, devendo, porém, serem reembolsados, caso a WIC resolvesse reintegrar-se na sua posse. Na hipótese de a WIC decidir vendê-lo, eles teriam preferência na aquisição; e se um terceiro interessado o arrematasse, seriam reembolsados dos gastos efetuados. Planejavam moer em 1636-7. A venda concretizou-se em 1637 por 60 mil florins, em seis prestações anuais, sendo-lhes cedida a fábrica "com todas as terras, plantações de cana, pastos, bosques, casas e outros edifícios da mesma que pertenciam a [Antônio de] Albuquerque, juntando a isso trinta negros e vinte juntas de bois" ali existentes. Só após o pagamento da última prestação, seria entregue a escritura da propriedade. Em 1637 o engenho moía mas em 1638 foi revendido a Willem Beck e Hugo Graswinckel, comerciante que chegara a Pernambuco em 1635. Aparentemente, Wintges e Grastman não haviam pagado sequer a primeira prestação. O total de 60 mil florins foi debitado na conta de cada um dos primeiros compradores pela metade do montante. Dispunha então de quatro partidos de lavradores, no total de 110 tarefas (5,5 mil arrobas), entre eles o próprio George Grastman (trinta). Em 1640, os soldados de Luís Barbalho saquearam o engenho em plena moagem, danificando a casa de purgar e os canaviais e dispersando o gado, com perda de mais de 150 cabeças. Em 1641, os habitantes da freguesia requereram permissão para erguer igreja própria, visto que a capela do engenho seria insuficiente para o número de fiéis. Beck e Graswinckel opuseram-se, de modo que o governo do Recife autorizou apenas a ampliação. Em 1641 Beck era também o contratador da captura do gado alçado da capitania. Em 1642, Graswinckel vendeu sua parte a Mathijs Beck, irmão de Willem. Em 1644, o engenho foi revendido a Gonçalo de Oliveira, sendo evacuado em 1646. Em 1645, Wijntges era devedor de 881 florins à WIC. Graswinckel ainda residia no Recife em 1649. No mesmo ano, Mathijs Beck fez excursão malograda ao Ceará em busca de metais preciosos. Com a capitulação do Recife (1654), ele partiu num navio de refugiados em demanda da ilha de Tobago. Os irmãos Beck instalaram-se depois em Barbados, contribuindo para a melhoria dos métodos de fabricação de açúcar, e em seguida, em Curaçao, da qual foram ambos governador. Em 1645, Willem Beck devia 40027 florins à WIC além de 2614 florins com Jean ten Berge e companhia; Grastman, 3242 florins; e Graswinckel, 763 florins. Em 1663, Graswinckel formulava suas pretensões à indenização pela Coroa portuguesa e o mesmo fazia a viúva de Balthasar Wijntges. Então, a dívida de Mathijs Beck era de pequena importância, uma vez que ele fora creditado "por contratos públicos e por outras razões", mas Willem ainda era devedor da totalidade da soma a que se comprometera, cerca de 30 mil florins. Gonçalo de Oliveira era devedor de 1,8 mil florins à WIC. Após a restauração pernambucana, Matias de Albuquerque Maranhão reintegrou-se na posse do Cunhaú.(2)».

@ pg. 193, Notas:

«(2 RPFB, pp. 188, 226; FHBH, pp. 95, 176; RCCB, pp. 79, 156, 161; MDGB, pp. 154-5, 160; DN, 3.IX.1635, 30.I e 4.II.1636, 15.VI.1637, 9.XII.1640, 14.I e 13.II.1641, 12.X.1644, 29.VI.1647, 4.II.1649; "Vercochte engenhos", ARA, OWIC, n. 54; Nótulas da Câmara de Amsterdã da IC, 10.IX.1635, ARA, OWIC, n. 14; Wasch, "Braziliaansche pretensien", pp. 75-7; "Generale staet", ARA, OWIC, n. 62; Nieuhof, Memorável viagem, p. 61; NP, I, p. 11; F. A. de Varnhagen, História das lutas com os holandeses no Brasil, Viena, 1871, pp. 354-60; J. H. J. Hamelberg, De Nederlanders op de West-Indische Eilanden, 4 vols., Amsterdã, 1901-9, I, p. 221; Goslinga, The Dutch in the Caribbean, pp. 309, 440; Rita Krommen, Mathijs Beck e a Companhia das Índias Ocidentais, Fortaleza, 1997.».

  • NOTA: A invocação desse engenho é Nossa Senhora das Candeias.






Citação deste verbete
Autor do verbete: Levy Pereira
Como citar: PEREIRA, Levy. "N S. đ Candas (Engenho de roda d'água)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/atlas/N_S._%C4%91_Candas_(Engenho_de_roda_d%27%C3%A1gua). Data de acesso: 25 de março de 2019.


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