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N S. de Checiçe (Engenho de roda d'água)

De Atlas Digital da América Lusa

Edição feita às 10h26min de 20 de outubro de 2015 por Levypereira (disc | contribs)

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Coleção Levy Pereira


N S. de Checiçe

Engenho de roda d'água com igreja, na m.e. do 'Pirápáma' (Rio Pirapama).


Natureza: Engenho de roda d'água com igreja.


Mapa: PRÆFECTURÆ PARANAMBUCÆ PARS BOREALIS, una cum PRÆFECTURA de ITÂMARACÂ.


Capitania: PARANAMBVCA.


Jurisdição: Cidade de Olinda, Freguesia do Cabo de Santo Agostinho.


Nomes históricos: Engenho de Nossa Senhora da Conceição; N S. đe Checiçe (N S. di Checiçe); Trapiche (Tripicho).


Nome atual: Engenho Trapiche - destruído, área reocupada com estabelecimento industrial, restando as ruínas da igreja, conhecida atualmente como Capela de São Francisco, na margem da BR101 Sul.


Citações:

►Mapa PE-C (IAHGP-Vingboons, 1640) #40 CAPITANIA DE PHARNAMBOCQVE, plotado como engenho, 'Ԑ: Tripicho', na m.e. do 'Rº. Piripama'.

  • Nota: O açude, conforme desenhado nesse mapa, também parece ter sobrevivido.


►Mapa PE (Orazi, 1698) PROVINCIA DI PERNAMBVCO, plotado, 'N S. di Checiçe', na m.e. do 'Piraparma' - 'Pirápáma' (Rio Pirapama)..


(Schott, 1636), pg. 53-55:

"Engenho Trapiche, ou Nossa Senhora da Conceição, pertencente a Dona Adriana, viúva de Manuel Gomes de Melo, fica uma pequena milha ao sudoeste do citado engenho da Guerra, mói com água, tem um lindo açude, mas difícil de manter; pode anualmente fazer 4.000 a 5.000 arrobas de açúcar. A casa de purgar tem paredes de taipa e o telhado é muito velho, como também a casa das caldeiras, mas a citada viúva, graças ao seu passaporte, obtido em Porto Calvo, consertou este engenho à própria custa e fê-lo novamente moer; paga como recognição 1 e 1/2 por cento. O canavial está em redor do engenho e o restante da terra que lhe pertence consiste de matas e não serve para plantação de cana.

Na varanda da casa de purgar foram achadas 8 caixas de açúcar branco e 3 de açúcar mascavado, marcadas GWC, 30 caixas do senhor do engenho; outras 53 caixas, pertencentes ao mesmo senhor, foram escondidas na mata sob uma coberta de palha, cerca de três tiros de mosquete distante da casa, somando ao todo 94 caixas.

Na casa de purgar: 108 fôrmas feitas pelos Cavalcantis de Goiana e 565 fôrmas trazidas para o engenho por Antônio da Rocha, e 474 fôrmas trazidas para o engenho por Antônio Correia no total de 1.147 fôrmas. As 565 fôrmas de Antônio da Rocha renderam, segundo a conta do feitor Antônio Dias, 536 arrobas de açúcar branco e 122 arrobas de açúcar mascavado, das quais o dizimo pertence à Companhia e a metade ao lavrador, conforme o contrato que me foi mostrado, ou 241 arrobas de açúcar branco e 55 de açúcar mascavado; ficam para a Companhia 295 arrobas de açúcar branco e 67 arrobas de açúcar mascavado. As 474 formas de Antônio Correia renderam, segundo a conta, 418 arrobas de açúcar branco e 92 arrobas de açúcar mascavado, das quais o dizimo é da Companhia e fica a terça parte pertencente ao referido Antônio Correia, como mostra o. acordo que fez com o senhor do engenho, sendo 27 1/2 arrobas de açúcar mascavado e 125 arrobas de açúcar branco; ficam para a Companhia 293 arrobas de açúcar branco e 64 e 1/2 arrobas de açúcar mascavado. As mencionadas 108 fôrmas feitas pelos Cavalcantis renderam 84 arrobas de açúcar branco e 24 arrobas de açúcar mascavado, que todas ficam para a Companhia, que deste modo obtém um total de 672 arrobas de açúcar branco e 155 e 1/2 arrobas de açúcar mascavado, as quais o citado feitor Antônio Dias fez encaixar em 33 caixas, que, com a marca da Companhia, foram mandadas para o Cabo e a Barreta, sendo deduzidas 50 caixas que à referida senhora do engenho em Porto Calvo foram concedidas pelos Senhores Conselheiros] ali e depois pelo Conselho, sendo 30 que, por conta do resgate de Pedro da Cunha, tinham sido pagas e 20 caixas para a viúva consertar o engenho. ".


(Nassau-Siegen; Dussen; Keullen - 1638), pg.85:

"Cidade de Olinda

Freguesia do cabo Santo Agostinho

22. Engenho Nossa Senhora da Conceição, pertencente a D. Adriana, que ficou conosco; é d'água e mói. ".


(Dussen, 1640), pg. 143-144:

"ENGENHOS DE PERNAMBUCO

Na freguesia de Santo Antônio do Cabo

24) Engenho Nossa Senhora da Conceição, de Dona Adriana, é engenho d'água e mói. São lavradores: (não indica) .".


(Relação dos Engenhos, 1655):

@ pg. 238-239, informando a pensão que este engenho pagava à Capitania de Pernambuco:

"Engenhos da freguesia de Santo Antônio do Cabo

...

Engenhos que estão a monte nesta freguesia

- E o de João Gomes de Mello, a um e meio por cento. ".

@ pg. 242:

"As pensões dos engenhos referidos se pagam de todo o açúcar que fazem antes de ser dizimado, ...".


NOTAS:

1) (Pereira da Costa, 1951), Volume 1, Ano 1532, pg. 148, correlaciona João Gomes de Mello ao engenho Trapiche:

"João Gomes de Melo, homem muito nobre, e natural da província da Beira. Casou em Pernambuco com D. Ana de Holanda, de cujo consórcio vem a família dos Melos, da casa de Trapiche, do Cabo de Santo Agostinho.".

2) (Pereira da Costa, 1951), Volume 7, Ano 1812, pg. 326, cita o Engenho Ilha, que, neste estudo, está sendo associado ao Engenho Pirapama:

"Pelos outros concessionários de terras foram também, contemporaneamente, construídos vários engenhos, cujo número atingia a dezesseis em 1630, e assim relacionados em documentos coevos: Engenho Santa Lúcia; Utinga, sob a invocação de S. Francisco; Maratapagipe, sob a de S. Marcos; um que pertenceu a João Rodrigues Caminha; Pirapama, sob a invocação de Santa Apolônia; Novo, de S. Miguel; Garapu, do Espírito Santo; Algodoais, de S. Francisco, Jurissaca, de S. João Batista; Nossa Senhora da Conceição; Velho, da Madre de Deus; Guerra; S. João; S. Braz; Nossa Senhora das Candeias; e Bom Jesus. Neste engenho, o seu proprietário João de Veras, que morreu na Bahia em 1651, instituiu um vínculo ou morgado.

Na transcrita lista dos engenhos da Freguesia do Cabo de S. Agostinho, não figuram os de Santo Estevão, Ilha e Trapiche, então já existentes, naturalmente por imposição de outros nomes.".

3) Trapiche = N S. đe Checiçe = Nossa Senhora da Conceição.


(Cabral de Mello, 2012):

@ pg. 107-108, Os engenhos de açúcar do Brasil Holandês, I - Capitania de Pernambuco, Cabo:

«10) NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO. Também chamado Trapiche. Sito à margem esquerda do Pirapama. Engenho de bois. Pagava 1,5% de pensão. Em 1593, há referência ao engenho de Ana de Holanda, viúva de João Gomes de Melo; em 1609, ao engenho "de Ana de Holanda, o novo" e ao "engenho de Ana de Holanda, o velho", que era o Nossa Senhora da Conceição. Em 1623, produzia 4840 arrobas, pertencendo a seu filho Manuel Gomes de Melo; e, em 1635, à viúva deste, Adriana de Almeida Lins, que se retirou, abandonando trinta caixas de açúcar na casa de purgar e mandando esconder outras 58 no mato. Em 1636, tinha "um lindo açude mas difícil de manter; pode anualmente fazer 4 mil a 5 mil arrobas de açúcar. A casa de purgar tem paredes de taipa e o telhado é muito velho, como também a casa das caldeiras [...]. O canavial está em redor do engenho e o restante da terra que lhe pertence consiste de matas e não serve para plantação de cana". No caminho do exílio, d. Adriana desvencilhou-se do grupo de retirados, obtendo do almirante Lichthart na Barra Grande o passaporte para permanecer na posse dos seus bens sob o domínio holandês. Neste ínterim, eles haviam sido confiscados, "visto que d. Adriana já havia abandonado estes bens havia muito tempo, e além disto tinha se comportado de maneira hostil". O governo do Recife debateu então a questão de "se os bens [...] acima das cinquenta caixas de açúcar pertencem à senhora ou à Companhia. Foi decidido que a Companhia tem direito de ficar com eles". Em 1636, d. Adriana achava-se de novo na posse do engenho, graças talvez à intervenção do genro, o capitão de cavalaria Gaspar van der Ley; e o repusera a moer. Safrejava em 1637 e 1639. Moente em 1655, quando pertencia a João Gomes de Melo, filho de Manuel Gomes de Melo e de d. Adriana, o qual aderiu à insurreição de 1645. Neste ano e em 1663, ele era devedor de 4,6 mil florins à WIC.(66)».

@ pg. 182, Notas:

«(66) DP, p. 146; FHBH, I, pp. 29, 53-4, 85, 145, 239; RCCB, pp. 36, 153; DN, 16.XI.1635; "Generale staet", ARA, OWIC, n. 62; VL, I, p. 205; II, pp. 8, 86, 114; "Rol da finta que se fez na freguesia do Cabo", AHU, PA, Pco., cx. 5; NP, I, p. 225; Moonen, Gaspar van der Ley, p. 34.».






Citação deste verbete
Autor do verbete: Levy Pereira
Como citar: PEREIRA, Levy. "N S. de Checiçe (Engenho de roda d'água)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/atlas/N_S._de_Checi%C3%A7e_(Engenho_de_roda_d%27%C3%A1gua). Data de acesso: 25 de março de 2019.


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