Ações

S Amaro

De Atlas Digital da América Lusa

Coleção Levy Pereira


S Amaro


Natureza: aldeia de índios

com cruzeiro e

sinal de abandonada


Mapa: PRÆFECTURÆ PARANAMBUCÆ PARS MERIDIONALIS


Capitania: PARANAMBVCA

Aldeia de índios brasilianos com cruzeiro e sinal de abandonada, na m.e. do 'Paraiba' (Rio Paraíba - AL).


Nomes históricos: S Amaro; Sant'Amaro; A: St. Amaro; Aldeia de Santo Amaro; Aldeia em Alagoas.


Nome atual: não é atualmente aldeia de índios.

Citações

►Mapa PE-M (IAHGP-Vingboons, 1640) #39 CAPITANIA DO PHARNAMBOCQVE, plotada, 'A: St. Amaro.', na m.e. do 'R. Parajba' (Rio Paraíba - AL).

►(Dussen, 1640), indicando o nome do seu capitão (e capelão) neerlandês e sua população masculina.

@ pg. 183, a função do capitão e capelão neerlandês é assim definida:

"Além do capitão brasiliano, foi posto em cada aldeia um capitão holandês que os regem a eles e aos seus principais; a sua maior atribuição é animá-los para o trabalho e dirigi-los na melhoria das plantações e conceder-lhes permissão para trabalhar para senhores de engenho, verificando que não sejam vítimas de enganos e que o seu trabalho lhes seja pago. ".

@ pg. 184, esclarece que a população masculina é constituída de:

"... homens, tanto velhos quanto jovens, aptos para a guerra ou inaptos, excluídas as mulheres e crianças, as quais estão em proporção, com relação aos homens, de, no mínimo, 3 para 1. ".

@ pg.185:

"ALDEIAS DE PERNAMBUCO

Aldeia em Alagoas, Capitão Heindrick Taffel ... 53 homens.

...".

►(Bullestrat, 1642):

@ pg. 174:

"Fui certificado de que os brasilianos que até há pouco moravam em Santo Amaro, lugar situado a uma hora ou pouco mais do acampamento, tinham mudado de local de residência, passando para as proximidades do engenho do Sr. Cloet, e isto apenas por iniciativa de seu Capitão Heyndrick, que cultiva um partido de cana não a este pertencente, mas ao engenho de Lucas de Abreu, emigrado e já falecido, o qual anteriormente esteve em uso pela Companhia. Pelos moradores foi pedido que os brasilianos voltassem a residir em Santo Amaro, porque eles conhecem muito bem todos os caminhos e passagens e sempre prestaram grandes serviços contra os salteadores e agora de nenhuma utilidade têm sido, embora residam atualmente a menos de 5 milhas do acampamento.".

@ pg. 178:

"À tarde dirigi-me a cavalo para a arruinada aldeia de Santo Amaro: verifiquei que a capela em parte está conservada, mas as palhoças dos brasilianos estão inteiramente arruinadas, pois que eles, com o seu capitão e com o consentimento de S. Excia., se tinham transferido para as vizinhanças do Engenho do Sr. Cloet na Alagoa do Norte; a aldeia de Santo Amaro é bem situada e tem boas terras para a plantação de roçados e para tudo o mais necessário ao sustento dos brasilianos. ".

►(Gonsalves de Mello, 1985), pg 195:

"(60) O Capitão da Aldeia era Hendrick van Tassel: ver Relatório Van der Dussen (1639) e dag. notule de 28 de agosto de 1642, ARA, OWIC 69. O engenho dos irmãos Cloet era o Nossa Senhora da Ajuda, na Alagoa do Norte. Ver sobre o assunto o Relatório de Walbeeck e Moucheron (1643) neste volume. ".

►(Walbeek & Moucheron, 1643), pg. 130:

"À vista do engenho dos de Cloeten fica a aldeia Mondaí, que se compõe de dez ou doze famílias de brasilianos e foi transferida para aí de Santo Amaro, junto ao rio Paraíba. Convindo muito que, para tranqüilidade e segurança dos moradores das Alagoas contra os negros dos Palmares, Santo Amaro fosse de novo habitado pelos índios (pois Santo Amaro fica justamente na passagem); tiveram eles ordem de retirar-se de Mondaí e estabelecer ali a sua aldeia; mas, por causa da sua fraqueza, não ousam residir em Santo Amaro, salvo se se mantiver ali constantemente uma força de trinta ou quarenta soldados. ".

►(Diegues Jr, 1949), pg. 46-47:

"Outra concessão feita ainda por Diogo Soares foi a de terras para a fundação de uma aldeia de índios; requerida ao governador Alexandre de Moura pelo procurador Henrique de Carvalho. Esta aldeia se erigiu em Santo Amaro, em local próximo aos palmarinos. No memorial que os índios de Santo Amaro fizeram a El-Rei (40), assinala-se a data de sua criação na era de 1614, sendo a fundação da aldeia iniciada por Gabriel Soares «que então morava na mesma terra, fabricando fazendas e engenhos». Os índios serviam de obstáculos aos negros dos Palmares.

Todavia, parece que a aldeia se erigiu antes daquela data, pois em 1614 Diogo Soares pediu e obteve permissão para fundar outro aldeamento, é o que nos informa Dias Cabral (41). A aldeia ainda existia em 1749, nela morando religiosos capuchos de Santo Antônio (42). Ainda pelo que informa o memorial citado, sabe-se que Gabriel Soares vendeu meia légua dessa aldeia aos índios em troca de determinada quantidade de lenha, cada ano e de trabalhos nos engenhos do vendedor.

Mais tarde Cristóvão Berenguer mandou vender esta terra, de que se declarava senhor «por dote de casamento», comprando-a Gaspar de Araújo, que situou em Santo Amaro um curral de gado. O «dote de casamento» a que alude Berenguer, proveio de seu consórcio com a viúva de Gabriel Soares. O casamento de Berenguer com D. Florência se verificou antes de 17 de abril de 1669; nesta data, Cristóvão assinava termo como irmão da Misericórdia em Olinda, e dele consta ser casado com D. Florência de Andrade (43).

O fato é que da venda feita se originaram «muita perturbação, moléstias, desordens, motins». Apesar de tudo, os índios sempre conservaram a posse de 73 anos, pois El-Rei «mandou informar e pôr a salvo aqueles índios na posse de taes terras» (44).

Assim, seria possível concluir que o memorial data de 1687 mais ou menos. Entretanto, é certo ser posterior a esse ano; no documento se refere que o governador Caetano de Melo e Castro os mandou situar sete léguas mais para a serra a dentro. Sabemos que Caetano governou de 1693 a 1699; logo, é evidente que o memorial é posterior ao seu governo, ou de ano em que ele ainda governava. No memorial se lê de «1636 para 1637»; quer nos parecer que deve ser lido «1696 para 1697».

(40) in Revista do Instituto Arqueológico e Geográfico Alagoano, vol. I, n° 4.

(41) idem, Vol. II, nº 11.

(42) "Informação Geral da Capitania de Pernambuco", in Anais da Biblioteca Nacional, vol. XXVIII, 1906, Rio de Janeiro, 1908.

43) in Revista do Instituto Arqueológico e Geográfico Pernambucano, 3° ano, tomo I, 1865.

(44) «Noções circunstanciadas sobre diversas aldeias e missões de índios» etç. in Revista do Instituto Arqueológico e Geográfico Alagoano, vol. II, n° 11.".

►(Câmara Cascudo, 1956), pg. 169-170:

"O Caminho, de Camarão era a trilha seguida pelo indígena norte rio grandense, dom Antônio Felipe Camarão, do gentio potiguar, com suas tropas, em sucessivas jornadas guerreiras, para assaltos inopinados e felizes. Esse Caminho, passando ... pela povoaçao de Nossa Senhora do Rosário onde uma variante o levava à de Sant'Amaro, baixando para "Velho", atual cidade do Pilar, engenho de Gabriel Soares da Cunha, primeiro Alcaide Mor de Madalena (Alagoas) quando, agosto de 1633, os holandeses atacaram e que pertencia então a Domingos Rodrigues de Azevedo.".

►(Pereira da Costa, 1951), Volume 2, ano 1595, pg. 82:

" Em 1746 contava a capitania de Pernambuco as seguintes aldeias ou missões de índios, segundo um documento oficial da época:

...

Vila das Alagoas

aldeia de Santo Amaro, que é a sua invocação, o missionário religioso franciscano, e os índios caboclos da língua geral.".






Citação deste verbete
Autor do verbete: Levy Pereira
Como citar: PEREIRA, Levy. "S Amaro". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/atlas/S_Amaro. Data de acesso: 24 de setembro de 2020.


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