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Os mapas manuscritos de Georg Marcgraff das Capitanias e Câmaras do Brasil Neerlandês do acervo da Biblioteca da Universidade de Harvard

De Atlas Digital da América Lusa

Edição feita às 12h40min de 26 de abril de 2026 por Levypereira (disc | contribs)

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Coleção Levy Pereira


OS MAPAS DAS CAPITANIAS E CÂMARAS DO BRASIL NEERLANDÊS BASEADOS NO PROTÓTIPO DO BRASILIA QUA PARTE PARET BELGIS DELINEADO POR GEORG MARGRAFF.

Levy Pereira.

Natal, RN, dezembro de 2020.

RESUMO:

Este estudo apresenta a primeira análise sistemática dos mapas manuscritos inéditos das capitanias e câmaras do Brasil Neerlandês baseados no protótipo delineado por Georg Marcgraff e preservados na Harvard University Library, os quais, até o momento, não foram objeto de exame aprofundado na literatura especializada. O conjunto, composto por nove mapas articulados, revela notável coerência interna e constitui um corpus cartográfico singular, cuja organização espacial e temática se relaciona diretamente com a estrutura político-administrativa estabelecida durante o governo de Johan Maurits Nassau-Siegen.

A investigação demonstra que esses mapas devem ser compreendidos como partes integrantes de um sistema cartográfico coordenado, cuja área de cobertura corresponde às capitanias e câmaras sob domínio neerlandês. A distribuição das unidades territoriais, a seleção dos elementos geográficos e a estrutura composicional evidenciam uma lógica administrativa consistente, indicando que o conjunto foi concebido em estreita relação com as necessidades de gestão e representação do território no contexto da administração nassoviana.

A análise comparativa com os mapas impressos publicados por Blaeu, em especial o mapa mural Brasilia qua parte paret Belgis e os quatro mapas das capitanias dele derivados, evidencia de forma consistente que os mapas manuscritos e impressos são coetâneos, tendo sido produzidos no mesmo contexto histórico e no mesmo horizonte cronológico de meados do século XVII, durante a vigência do domínio neerlandês no Nordeste do Brasil. Ambos os conjuntos se baseiam em um modelo cartográfico comum, associado aos levantamentos originalmente delineados por Georg Marcgrave, não configurando, portanto, uma relação de precedência linear, mas sim expressões paralelas de um mesmo processo de produção cartográfica.As diferenças observadas entre os mapas concentram-se em áreas específicas de cobertura, no traçado de caminhos e, sobretudo, na toponímia, incluindo variações de grafia, omissões e acréscimos. Longe de indicar independência ou inconsistência, essas diferenças revelam um padrão de complementaridade: lacunas presentes nos mapas impressos são frequentemente supridas pelos manuscritos, e vice-versa, de modo que a análise conjunta dos dois conjuntos amplia significativamente o conhecimento do espaço representado no Brasil Neerlandês.

O estudo evidencia ainda que tanto os mapas manuscritos quanto os impressos apresentam limitações características dos processos técnicos do século XVII, baseados na reprodução manual de um protótipo cartográfico. A necessidade de copiar sucessivamente esse modelo, seja no desenho dos manuscritos, seja na gravação das matrizes em cobre para impressão, introduziu inevitáveis variações, simplificações e erros, particularmente perceptíveis no conjunto toponímico e em elementos lineares como caminhos e cursos d’água.

Sustentada por um extenso conjunto de anexos analíticos, que incluem comparações detalhadas de representação, simbologia, escalas, títulos e toponímia, a investigação demonstra que os mapas do acervo de Harvard e os mapas impressos derivados do modelo marcgraviano constituem um sistema cartográfico integrado. A leitura combinada desses documentos permite não apenas reconstruir com maior precisão o espaço do Brasil Neerlandês, mas também compreender os mecanismos de produção, transmissão e transformação do conhecimento geográfico no contexto colonial do século XVII.

Conclui-se que a articulação entre esses conjuntos cartográficos revela uma prática de mapeamento simultaneamente técnica e administrativa, na qual diferentes suportes, manuscrito e impresso, participam, de forma contemporânea e interdependente, de um mesmo esforço de representação territorial.


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Citação deste verbete
Autor do verbete: Levy Pereira
Como citar: PEREIRA, Levy. "Os mapas manuscritos de Georg Marcgraff das Capitanias e Câmaras do Brasil Neerlandês do acervo da Biblioteca da Universidade de Harvard". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: https://lhs.unb.br/atlas/index.php?title=Os_mapas_manuscritos_de_Georg_Marcgraff_das_Capitanias_e_C%C3%A2maras_do_Brasil_Neerland%C3%AAs_do_acervo_da_Biblioteca_da_Universidade_de_Harvard. Data de acesso: 30 de abril de 2026.


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