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Acajúapáie

De Atlas Digital da América Lusa

Coleção Levy Pereira


Acajúapáie

Aldeia de índios brasilianos na m.e. do 'Capiíbarĩ' (Rio Capibaribe).


Natureza: aldeia de índios.


Mapa: PRÆFECTURÆ PARANAMBUCÆ PARS BOREALIS, una cum PRÆFECTURA de ITÂMARACÂ.


Capitania: PARANAMBVCA.


Nomes históricos: Aldeia de S.Exa.; aldeia de sua Excelência; Aldea; Acajupaie; Nassau (Nassoú); Mouriitius.


Nome atual: não é mais aldeia de índios - estava localizada onde atualmente é área urbana do Bairro dos Aflitos, cidade do Recife-PE.

Citações:

►Mapa PE-C (IAHGP-Vingboons, 1640) #40 CAPITANIA DE PHARNAMBOCQVE, plotada como aldeia, 'A. Nassoú', na m.e. do 'Rº. Capauiriuÿ'.


►Mapa IT (IAHGP-Vingboons, 1640) #43 CAPITANIA DE I. TAMARICA, plotada como aldeia, 'A. Nassoú', na m.e. do 'Rº. Capauiriuÿ'.


►Mapa Y-41 (4.VEL Y, 1643-1649) De Cust van Brazil tusschen Cabo St. Augustijn ende hoeck van Pommarel, plotada com símbolo de aldeia, 'Mouriitius', ao norte da cidade de Moúritstat:'.


►Mapa PC (Golijath, 1648) "Perfecte Caerte der gelegentheyt van Olinda de Pharnambuco MAURITS-STADT ende t RECIFFO", desenhada, «Het Dorp Aldea hier is een Brouwerÿe en Suycker pas», na m.e. do 'Rio Capibaribi'.


►Mapa ASB (Golijath, 1648) "Afbeeldinge van drie Steden in Brasil", desenhada, na m.e. do 'Rio Capibaribÿ' e marcada com a letra R, «R. «Aldea ofte Brasiliaens Dorp. Tegenwoordich nevens het Brasiliaens Dorp een Brouwerye ende Suyckerpas».


►Mapa PE (Orazi, 1698) PROVINCIA DI PERNAMBVCO, consta, sem símbolo, 'Acajuapaie', escrito na m.d. do rio 'Capiibari'.


►(Dagelijkse Notulen der Horge Regeering in Brazilie 1635-1654 - Nótulas Diárias do Alto Governo Neerlandês no Brasil - fonte: UFPE - LIBER - Monumenta Hygina [1]):

@ Dagelijkse Notule in Volume 6, Período de 2 de janeiro a 31 de dezembro de 1640:

"27 de novembro As seguintes queixas foram apresentadas à reunião pelos Predicantes dos brasileiros, Dooreslaer e Eduardi, pedindo que sua Excelência e os Nobres tomem alguma providencia. ...

7 Finalmente a Classis requer à sua Excelência e o Alto Conselho um simples contrato para dois professores brasileiros das aldeias; um que já exerceu o cargo com louvor durante dois anos na aldeia Rabucurama, e o outro que ainda tem que ser instalado à pedido do predicante Soler na aldeia de sua Excelência. Assinado: Daniel van Doreslaer Johannes Eduard ".

@ Dagelijkse Notulen in Volume 7, Período de 4 de janeiro a 29 de junho de 1641:

"18 de janeiro As queixas da reunião da Classis foram examinadas e depois de serem debatidas foi decidido se apostilar o seguinte:

...

7 O predicante Soler deixou saber, que na aldeia de sua Excelência mora um brasileiro, que também tem uma boa experiência e conhecimento dos fundamentos da religião, em leitura e na escrita, que poderia muito bem exercer um papel na educação dos brasileiros. Pergunta se, se sua ajuda não seria necessária. A mesma questão foi feita por D. Eduardi, que também conhece uma pessoa assim. Aprovado, e cada um receberá temporariamente 12 florins por mês como salário.".

"22 de março O Predicante Soler pediu durante a reunião se um camarote poderia ser construído, porque a galeria do edifício da Companhia é pequena de mais para abrigar todos os brasileiros da aldeia Mauricia para escutar a palavra de Deus, pela qual os brasileiros irão se ocupar pela madeira da construção e outros materiais. Para este fim um marceneiro ficou à disposição do reverendo.".

"16 de maio Nós falamos com o Senhor João Fernandes Vieira, sobre o contrato da implantação de dois passos de açúcar, para se deter as carroças do Recife e para acomodação de seus proprietários. Um estará localizado na cidade de Olinda as margens do Rio Beberibe e o outro na aldeia de sua Excelência nas margens do Rio Capibaribe.".

"4 de junho ...

Sua Excelência e os Senhores do Alto Conselho viram a situação da aldeia Mauritia, onde o contratante João Fernandes Viera irá construir um passo as margens do rio Capibaribe..


►Nótulo, com a Ata e as propostas da Assembléia Indígena, datadas de 30/03/1645, realizadas na Aldeia Tapisserica, com as resoluções do Supremo Conselho, apostiladas em 11/04/1645, in (Souto Maior, 1912):

Essa aldeia, nessa Assembléia, é:

  • citada como Nassau;
  • une-se com Aldeia de São Miguel do Muçui, recebendo os brasilianos dessa aldeia por seis meses;
  • filia-se à Câmara de Goiana, mas não elege representantes.


(Melo, 1931), pg. 177:

"ACAJUPAIÊ — (Ant. lug. no Mun. do Recife). C. ucuyú-payé, o caju do feiticeiro, do pagé. — A. C.".


(Gonsalves de Mello, 1947), pg. 227-229:

«Van der Dussen relaciona 21 aldeias, indicando os respectivos capitães (ora holandeses, ora índios) e o número dos homens existentes, ao todo 1.923, quantia insignificante.(51) Uma delas merece especial referência: a aldeia Nassau, "próxima à casa de S. Exa.", isto é, de Nassau. "By 't huys van Syn Exctie", diz Van der Dussen. Aqui reataremos o fio partido no primeiro capítulo, quando nos referimos à casa La Fontaine que Nassau "usa para seu prazer". Os mapas mostram a localização da aldeia Nassau: estava situada entre São José do Manguinho e o antigo Sítio das Freiras, nos Aflitos. (52) O que nos surpreende é que, situada como nos parece estava, a aldeia Nassau, no local já dito, indique Van der Dussen que ela ficava "próxima à casa de S. Exa". Já vimos que João Maurício habitou em Pernambuco quatro casas, segundo a documentação Ms., a saber: 1) a que estava próxima ao "terreiro dos coqueiros"; 2) Vrijburg; 3) Boa Vista; e 4) La Fontaine. Cremos que de nenhuma das três primeiras (todas situadas em Antônio Vaz, no atual bairro de Santo Antônio) pode-se afirmar estarem próximas à aldeia Nassau. Resta-nos a última: La Fontaine. Esta estaria, pois, no atual bairro da Capunga; conclusão que outras indicações parecem confirmar. (53)

Não há indicação nos documentos a que nação pertenciam os índios da aldeia Nassau; não há dúvida, porém, de que eram tupis e o seu chefe era índio e não holandês. (54) A aldeia destaca-se, ainda, pelo fato de que um dos seus predicantes ter sido o tantas vezes citado Vincent Joachim Soler. (55).

____________

(50) O "Relatório ao Conselho dos XIX" está datado de "Bordo do Navio Overijssel, 10 de dezembro de 1639" e encontra-se in DR. S. P. L'Honoré Naber, na tradução holandesa do livro de Barléus, Rerum per Octennium etc., incluiu-o no texto, pp. 150/199. Por ser longo, Naber deixou de transcrever as valiosas informações sobre os engenhos pernambucanos (compreendendo: o nome, proprietário, tipo de moenda, donos de partidos e os lavradores de tarefas, número destas por engenho etc.), pp. 153,155,156 e o recenseamento das aldeias de índios, p. 163.

(51) Transcrevemos a seguir o trecho do relatório:

Aldeias em Pernambuco:

....

Aldeia próxima à casa de S. Exa., chamada Nassau... 50 "

...

(52) No mapa que acompanha a monografia de Béringer, "O porto de Pernambuco e a cidade do Recife", cit., no qual se sobrepõe um mapa antigo a um recente, verifica-se a localização da aldeia Nassau entre a atual avenida Rui Barbosa e a estrada dos Aflitos (ficando os extremos um em S. José do Manguinho e o outro nas proximidades da igrejinha de N. S. dos Aflitos). O mapa de Barléus (Pernambuco em 1644, segundo Naber) indica a aldeia sob o nome "Pagus Brasilianorum", próximo a um viveiro de peixes ("Vivarina"). No mapa de Golijath (impresso em 1648) vê-se a indicação "Het Dorp Aldea hier is een Brouwerye en Suycker Pas" (isto é, "A vila Aldeia; aqui há uma fabricação de cerveja e um passo de açúcar"). Sobre a fábrica de cerveja sabe-se que em 1640 certo Dircx Dicx, de Haarlem, foi autorizado pelo Conselho dos XIX a estabelecer uma fábrica de cerveja na aldeia Nassau, utilizando a casa da Companhia que ali havia (era a La Fontaine, usada por Nassau); em abril de 1641 estava o fabricante para inaugurar a fábrica, constando em 1642 que a cerveja ali produzida era forte (swaar): Dag. Notulen de 11 de outubro de 1640, 13 de abril de 1641 e 13 de setembro de 1642; sobre o passo de açúcar há indicações valiosas: em maio de 1641 contratou João Fernandes Vieira a instalação de dois passos, em virtude da proibição da vinda de carros ao Recife e para mais comodidade, às margens dos rios Capibaribe e Beberibe. Segundo a Dag. Notule de 16 de maio, o passo do rio Beberibe seria instalado em Olinda e o do rio Capibaribe "próximo à Aldeia de S. Exa.", como era também chamada a aldeia Nassau: Dag. Notulen de 16 e 23 de maio de 1641. Os passos foram, de fato, estabelecidos; parece-nos, portanto, ser correta a identificação da aldeia de índios existentes em São José do Manguinho com as tantas vezes referida na documentação sob o nome de "aldeia de S. Exa." ou "aldeia Nassau".

(53 ) "Casa que S. Exa. usa para seu prazer", diz a Dag. Notule de 14 de maio de 1638. E se ficava na Capunga, como parece, a casa La Fontaine, bem escolheu Nassau: é um local onde se pode estar com prazer. Lugar, no século XIX, preferido para passamentos de festa, ao lado da Madalena, Caxangá, Poço da Panela, Monteiro, Apipucos. Da Capunga diz o Dicionário topográfico, estatístico e histórico da província de Pernambuco, de Manuel da Costa Honorato (Recife, 1863), que possuía "excelentes jardins ... dois excelentes portos de desembarque, e o banho neste local é ótimo. Para aí se retiram muitas famílias pelo verão, a fim de gozar as delícias da terra". Outro elemento que parece indicar a "presença" do conde de Nassau é a existência de um viveiro de peixe. Já referimos que junto à aldeia - melhor: entre a aldeia e o Capibaribe - havia um viveiro, "vivarina" diz o mapa de Barléus. João Maurício construiu grandes viveiros junto a Vrijburg e ele próprio chama a atenção para eles, recomendando a seus sucessores a conservação dos mesmos. No chamado "Testamento Político" aconselhava: "Entre outras cousas recomendarei a VV. SSas. o jardim de Vrijburg e os viveiros situados junto dele, não por causa do meu particular interesse, mas porque em tempo de penúria se pode tirar daí uma notável quantidade de refrescos, ao passo que em outras ocasiões foi necessário procurá-los alhures com grande perigo e perda de gente". (RIHB, tomo LVIII, citado, p. 228). Trata-se de um viveiro enorme, como mostram as gravuras da época; um viveiro principesco. Não sei se, por coincidência, o mapa de Goliath mostra o viveiro situado logo atrás de uma casa de aspecto mais de palácio do que de casa-grande e, em frente à casa, estende-se um armado com casebres ou casinhas dos dois lados: não resta dúvida que o armado é a aldeia dos índios. Rio acima, com pouca distância do viveiro, três casas, duas das quais compridas como armazéns: os passos de açúcar construídos por João Fernandes Vieira. O mapa de Vingboons - J. Vingboons fecit - da "Capitania de Pharnambocque" indica, somente, no local em que nos outros mapas se encontra a aldeia, um nome: "Nassau" (sic). Deve ser acentuado, finalmente, que em nenhum dos mapas examinados foi possível encontrar qualquer indicação a respeito da casa La Fontaine. E se esta possuía um nome ligado à existência de alguma fonte ou olho d'água, devemos reconhecer que tal coisa não existe no local onde supomos estivesse situada.

(54) Dag. Notule de 11 de abril de 1645, traduzida por Pedra Souto Maior, Fastos pernambucanos, citado, pp. 161, 163, 171.

(55) Dag. Notule de 10 de novembro de 1643. ».


(Gonsalves de Mello, 1976), pg. 32 e 33:

"8) «Aldea ofte Brasiliaens Dorp. Tegenwoordich nevens het Brasiliaens Dorp een Brouwerye ende Suyckerpas», Aldeia de índios tupis, junto à qual está agora uma fábrica de cerveja e um passo de açúcar. Já deixamos indicada a localização desta aldeia, chamada Aldeia de Sua Excelência ou Aldeia Nassau, junto da qual o Conde teve em 1638 uma casa de repouso, La Fontaine. A fábrica de cerveja, acêrca da qual não tínhamos elementos ao escrever o livro Tempo dos Flamengos, sabemos hoje, pelas pesquisas feitas pessoalmente em arquivos holandêses, que foi fundada por Dirck Dicx de Haarlem em 1641. O cervejeiro chegou ao Recife em outubro de 1640 e trazia permissão do Conselho dos XIX para instalar aqui a sua fábrica «na Aldeia de Sua Excelência, utilizando para tal a casa da Companhia, com o rio e o mais que se encontra nas proximidades e a lenha de que tiver necessidade, tudo pelo tempo dos seis anos próximos futuros». A casa da Companhia, que seria a La Fontaine de Nassau, foi realmente entregue pelo prazo de quatro anos e pelo aluguel global de 1.500 florins. A cerveja começou a ser fabricada e distribuida depois de abril de 1641, constando ser «uma cerveja forte». O passo de açúcar teve sua construção autorizada em 1641, sendo contratante João Fernandes Vieira. (47)

...

(47) Tempo dos Flamengos cit., pp. 115 e 255/257. Sobre Dirck Dicx e sua cervejaria Däg. Notulen de 11 de outubro de 1640, ARA, OWIC 68, de 13 de abril de 1641 e de 13 de setembro de 1642, OWIC 69. Sobre o passo, liv. cit. p. 256 nota 52. ".


Citação deste verbete

Autor do verbete: Levy Pereira

Como citar:PEREIRA, Levy. "Acajúapáie". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/atlas/Acaj%C3%BAap%C3%A1ie. Data de acesso: 11 de agosto de 2020.



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