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António Teles da Silva (1590-1650)

De Atlas Digital da América Lusa

António Teles da Silva foi o primeiro governador geral nomeado pela dinastia do Bragança para servir no Estado do Brasil. Sua carta patente [1] e seu regimento são datados de 16 de Junho de 1642 [2] mas só tomou posse do governo em 30 de Agosto de 1642 [3] , na cidade de Salvador.

Tabela de conteúdo

Origem Fidalga

A fidalguia era um traço comum a todos os governadores gerais que passaram pelo Estado do Brasil no século XVII, como podemos verificar nas origens familiares de António Teles da Silva [4].

A mãe de António Teles da Silva, D. Mariana de Lencastre era filha do IV Senhor de Vimieiro, D. Francisco Faro e de sua esposa D. Guiomar de Castro [5]; já seu pai, Luis da Silva fora “Alcaide mor, e Commendador de Cea na Ordem de Aviz, que foy Governador da Relação do Porto, Veador da Fazenda, e Do Conselho de Estado, e sérvio algum tempo de Mordomo mor” [6]. Segundo Virginia Rau, António Teles da Silva não era primogênito, portanto, não herdaria as posses de seu pai, sendo António Teles da Silva o “irmão mais novo de João Gomes da Silva, Fernão Teles de Menezes e Francisco da Silva, e de mais sete irmãs” [7].

Trajetória de Serviços

A “Jornada dos Vassalos” Nome dado a expedição de retomada da Bahia em 1625, pela armada de D. Fadrique de Toledo, para uma análise mais detida sobre esse evento [8], possibilitou a António Teles da Silva a requisição de mercês por sua participação na libertação de Salvador do jugo neerlandês. A participação na Armada de 1625 possibilitou a António Teles da Silva a mercê de capitão-mor das naus da carreira das Índias em 1626 [9] e em 1634.

António Teles da Silva foi um dos vários fidalgos que participaram do golpe de 1º. De Dezembro de 1640, e segundo os relatos de época, foi o único destes que ficou ferido na ação [10]. Em decorrência de sua participação foi nomeado em 1641 para servir como mestre de campo general do Alentejo e para o Conselho de Estado e Conselho de Guerra [11]. Em 1642 D. João IV lhe concedia a patente de governador geral do Estado do Brasil [12].

Governo no Estado do Brasil (1642-1647)

António Teles da Silva esteve à frente do governo em um período delicado, uma vez que os holandeses controlavam parte do nordeste da América Portuguesa, governando o ''Brasil Holandês'' a partir do Recife. Durante seu governo auxiliou os luso-brasileiros de Pernambuco em sua insurreição contra o domínio holandês. Seu governo terminou com a chegada O conde de Vila Pouca de Aguiar tomou posse em 26 de Dezembro de 1647. [13] de seu sucessor, António Teles de Menezes, Conde de Vila Pouca de Aguiar e General da Armada de Mar Oceano.

Contudo, permaneceu no Estado do Brasil até 1650, quando realizou a viagem de retorno ao reino na embarcação Nossa Senhora da Conceição, que naufragou na costa de Buarcos [14]. António Teles da Silva morreu neste naufrágio.


Referências

  1. ANTT-Chancelaria de D.JOÃO IV. Livro 10,f.354-355.
  2. Projeto Resgate - Barão do Rio Branco. Avulsos da Bahia: AHU_ACL_CU_005.Cx.1; D.40.
  3. MIRALES, D. José de. “História Militar do Brazil: Desde o anno de mil quinhentos quarenta e nove, em q’ teve principio a fund.am. da Cid.e. de S. Savl.or. Bahia de todos de todos os Santos até o de 1762”. Annaes da Bibliotheca Nacional do Rio de Janeiro. Vol. XXII, Rio de Janeiro: Typographia Leuzinger, 1900, p.144
  4. Cf. ARAÚJO, Hugo André Flores Fernandes. “Um império de Serviços: ofícios e trajetórias sociais dos governadores gerais do Estado do Brasil no século XVII”. Anais da XXIX Semana de História da Universidade Federal de Juiz de Fora: Monarquias, Repúblicas e Ditaduras: entre liberdades e igualdades. Juiz de Fora: 2012.
  5. SOUSA, D. Antonio Caetano. Historia genealógica da casa real portuguesa. Lisboa: Academia Portuguesa de História/QuidNovi/Publico, 2007. Livro IX, p. 334.
  6. SOUSA, D. Antonio Caetano. Historia genealógica da casa real portuguesa. Lisboa: Academia Portuguesa de História/QuidNovi/Publico, 2007. Livro IX, p. 334.
  7. RAU, Virgínia. “Fortunas Ultramari nas e a nobreza portuguesa no século XVII” In: GARCIA, José Manuel. (Org.) Estudos sobre história econômica e social do Antigo Regime. Editorial Presença,1985, p. 29
  8. Cf: MAGALHÃES, Pablo Antônio Iglesias. Equus Rusus: A Igreja Católica e as Guerras Neerlandesas na Bahia (1624-1654) Volume 1. Tese de Doutorado. UFBA, Salvador, BA. 2010.
  9. ANTT-Chancelaria de D. Felipe III. Livro 29, f.219V.
  10. MENEZES, Luís de (Conde da Ericeira). História de Portugal Restaurado.Porto, Civilização, 1945. Vol. I., p.107-108.
  11. ANTT– Chancelaria de D. João IV. Livro 13,f.122.
  12. ANTT– Chancelaria de D. João IV. Livro 10,f. 354V-355.
  13. Cf. MIRALES, D. José de. “História Militar do Brazil: Desde o anno de mil quinhentos quarenta e nove, em q’ teve principio a fund.am. da Cid.e. de S. Savl.or. Bahia de todos de todos os Santos até o de 1762”. Annaes da Bibliotheca Nacional do Rio de Janeiro. Vol. XXII, Rio de Janeiro: Typographia Leuzinger, 1900, p.145-146.
  14. MONTEIRO, Alexandre. “A perda do galeão São Pantaleão (1651): um naufrágio da Companhia Geral do Comércio do Brasil nos Açores”. In: Anais do VI Colóquio Internacional das Ilhas Atlânticas: As ilhas e o Brasil. Ilha da Madeira, 2000. p. 18.



Citação deste verbete
Autor do verbete: Hugo André FLORES FERNANDES ARAÚJO
Como citar: FLORES FERNANDES ARAÚJO, Hugo André. "António Teles da Silva (1590-1650)". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/atlas/Ant%C3%B3nio_Teles_da_Silva_(1590-1650). Data de acesso: 17 de janeiro de 2019.



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