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A CAPITANIA DE ÇIRIII

De Atlas Digital da América Lusa

Coleção Levy Pereira


A CAPITANIA DE ÇÎRÎIĬ

'Capitania de Ciriji' no MBU.

Capitania situada ao sul d'A CAPITANIA DE PARANAMBUCA'.


Natureza: Capitania.


Mapas:

PRÆFECTURA DE CIRÎÎĬ, vel SEREGIPPE DEL REY cum Itâpuáma;

PRÆFECTURÆ PARANAMBUCÆ PARS MERIDIONALIS.


Capitania: CIRÎÎĬ.


Nomes históricos: A CAPITANIA DE ÇÎRÎIĬ; Capitania de Ciriji; PRÆFECTURA DE ÇÎRÎIĬ vel SEREGIPPE DEL REY, Província de Sergipe (8/7/1820).


Nome atual: Estado de Sergipe (1889).

Plotada nos mapas (situação durante o domínio neerlandês) :

BQPPB - 'BRASILIA QUA PARTE PARET BELGIS', mapa mural, plotada como 'A CAPITANIA DE ÇÎRÎIĬ', ao sul d'A CAPITANIA DE PARANAMBVCA'.

MBU - 'MARITIMA BRASILIÆ UNIVERSÆ', plotada como 'Capitania de Ciriji', entre a 'Capitania du Bahia de todos os Sanctos' e a 'Capitania de Parananbuco.'.

♦ SE - 'PRÆFECTURA DE CIRÎÎĬ, vel SEREGIPPE DEL REY cum Itâpuáma', plotada como 'A CAPITANIA DE ÇÎRÎIĬ', com os limites:

 sul: 'Potiiĩpeba ou Rio de Vazarbarries' (Rio Vaza Barris);

 norte: 'Parapĩtinga ou Rio de S.Francifco' (Rio São Francisco).

♦ PE-M - 'PRÆFECTURÆ PARANAMBUCÆ PARS MERIDIONALIS', plotada parcialmente, região próxima ao litoral norte, compreendida nos extremos:

 sudeste: 'I. dos Paßaros Reygers eylandt', ilha no extremo sul da barra do 'Parapĩtinga ou Rio de S.Francifco' (Rio São Francisco);

 nordeste: 'Parapĩtinga ou Rio de S.Francifco' (Rio São Francisco), que é o limite entre as Capitanias de Pernambuco e a de Sergipe del Rei;

 sudoeste: 'Vpapoxi', lagoa fluvial no curso do 'Ipoxĩ' (Rio Poxim -Rio Papagaio);

 noroeste: 'Limoen curral', possivelmente o núcleo histórico do povoado Pindoba-SE, no município de Neópolis-SE.


Notas:

A Capitania de Serigipe del Rey foi criada em 1590, desmembrada da Capitania da Bahia de Todos os Santos.

● criada em 1590 durante a União Ibérica pelo rei de Espanha e Portugal, Filipe II, desmembrada da Capitania da Bahia de Todos os Santos, à qual era subordinada.

● seu primeiro mandatário foi Cristóvão de Barros e seu teritório extendia-se do Rio São Francisco ao rio Sergipe, inicialmente, e posteriormente, até o Rio Real.

Citações

(Moreno, 1612):

@ pg. 39:

" BAHIA DE TODOS OS SANCTOS

Da ponta de Sancto Antonio para O Norte a treze legoas esta a torre de Garcia da villa, e toda aquela costa hé de areais brancos a q' chamaõ os Lancois; tem alguas malhas de terra boas para curraes de gado, e para mantimentos desta torre, ate o Rio Real toda a terra hé fraca tirado o Rio Itapicuro, e povoada de curraes e Roças, neste Rio Real acaba a demarcaçaõ da Capitania da bahia e começa a Capitania de sergipe de Rey q' toma a enseada de Tapicuro, e de Vasa barris até a ponta do Rio de saõ Francisco, e tudo saõ currais de gado, e Roças, ...".

@ pg. 49:

"CAPITANIA DE SERIGIPE DEL REY

Passado o Rio Real toda a terra té o Rio de saõ Francisco, q' ocupa maes duas enseadas do Tapicuro e Vaza barris são da obrigaçaõ do Serigipe, que pella abundancia de gados, que produze, e dos muitos pouadores q' a este repeito aly se juntaraõ; foy ua Magte. servido de anomear capitania a parte; confirmando os Juizes, e Vereadores, Vigairo, e coadjutor, que aly introduzio dom francisco de sousa gouenador, e ao capitaõ se lhe deraõ cem mil r$ de ordenado.".

(Nieuhof, 1682):

@ pg. 34:

"A Capitania de Sergipe-d'El Rei, também conhecida por Cirigi — nome de um pequeno lago — acha-se situada na parte sul do Brasil e estende-se cerca de 32 milhas ao longo do litoral, limitando-se ao norte com o Rio São Francisco, que a divide de Pernambuco, e ao sul com o Rio Real, que a separa da Bahia de Todos os Santos;".

Notas:

  • 'parte sul do Brasil' Holandês;
  • É estranho 'Cirigi — nome de um pequeno lago —', pois 'ciri-gi', 'ciri-i' é mais propriamente traduzido do tupi como água ou rio do caranguejo siri. (Margrave, 1648), pg. 183-184 descreve o CIRI APOA e o CIRI OBI.

@ pg. 35-36:

"Foi esta Capitania primeiramente subordinada ao domínio português ou espanhol por Cristóvão de Barros (28) a quem, por tão bons serviços, foram doadas todas as terras entre o pequeno lago de Sergipe e o São Francisco, com amplos poderes para colonizá-las, dentro de certo prazo. Isto fez com que os habitantes da,Bahia de Todos os-Santos para lá se dirigissem e, dentro de poucos anos, lançada a fundação da cidade, construíram-se quatro engenhos de cana e ergueram-se cerca de 100 casas, com 400 estábulos para o gado. A nossa gente, porém, fez com que essa cidade fosse abandonada em 24 de dezembro de 1637, bem como todas as casas circunjacentes, retirando-se, então, todos os habitantes para a Bahia de Todos os Santos. Deveu-se esse fato ao general espanhol Bagnoli (29) que antes ocupava a praça com cerca de 2.000 homens que praticavam tóda sorte de pilhagens e incêndios e causavam danos consideráveis às nossas colônias, o que obrigou o Conde Maurício a desalojá-lo daquela posição. Entretanto, como este estivesse atacado de febre na ocasião, confiou a expedição ao Coronel Schkoppe (30). Para esse fim reuniu-se um corpo de 2.300 homens, além de 400 brasileiros e 250 marinheiros procedentes das praças vizinhas, próximas do rio S. Francisco, de Alagoas, do cabo de Santo Agostinho, das imediações do Recife e Muribeca. Tendo como auxiliar Joannes van Giselen membro do Grande Conselho, ordenou o Coronel Schkoppe ao almirante holandês Lichthart que cruzasse com sua frota à altura da Bahia de Todos os Santos para atrair o inimigo fora de suas vantajosas posições fortificadas da costa. Tão depressa teve ciência de que havíamos atravessado o rio, e, temeroso de ser envolvido a um tempo pelas forças de terra e mar, o general espanhol retirou-se, com seu exército, para a. Torre Garcia d'Ávila, posição situada a cerca de 14 milhas ao norte da cidade de São Salvador.

Sabedor desse movimento o general Schkoppe, atacou imediatamente a praça, que deixou despovoada e regressou com incrível rapidez para a margem sul do Rio São Francisco.

Aí se entrincheirou, com o propósito de hostilizar o inimigo, cortando-lhe o abastecimento e desbaratando-lhe o gado. Nessa operação foram bem sucedidas as nossas forças, que conseguiram matar para mais de 3.000 bois, além de muitos outros que desgarraram para a outra margem do rio. Os que escaparam aos soldados foram transportados pelos habitantes da região para a Bahia de Todos os Santos. Isso dá bem idéia da enorme quantidade de gado que esta região então produzia.

O Grande Conselho tomou, então, a deliberação de repovoar aquela zona do pais, entendendo-se, para esse fim, com Nunno Olferdi, conselheiro de Justiça, em Recife, que achou meios de para lá encaminhar várias famílias, solução que a seguir se abandonou por não ter sido aprovada pelo Conselho dos XIX.

Em 1641 o Conde Maurício submeteu essa região à jurisdição da Companhia das Índias Ocidentais. Lá erigiu um forte e cercou a cidade de Sergipe d'El Rei com um fosso, entre o S. Francisco e o Real, que pode, na enchente, atingir 14 pés de profundidade. Dentro desta Capitania existe uma montanha denominada Itabaiana onde se encontraram várias peças de metal precioso que, remetidas ao Conselho dos XIX, e, devidamente examinadas, provaram ser de pouco valor.".

►Rodrigues, José Honório, in (Nieuhof, 1682), Notas, pg. 35-36:

"(28) Foi, realmente, Cristóvão de Barros que iniciou a conquista e colonização desse Estado. Era governador interino da Bahia, em 1590, e tivera ordem de El-Rei Filipe II "a requerimentos dos povos d'entre rio Real e Itapicurú, que vivião inquietados pelos indígenas deste paiz, e piratas franceses, que frequentavão a costa em busca do páu brasil." (Cf. XXVI, 2.º tomo, p. 124).

(29) O Barão do Rio-Branco anexou, no exemplar de F. A. Varnhagen "História das lutas com os holandeses no Brasil" (1871), que lhe pertencera, uma extensa biografia de Bagnoli, com documentos que mandara copiar ou copiara na Itália. Por aí se vê que Bagnoli é uma pequena aldeia nos arredores de Nápoles, sobre a praia do mesmo nome. Ai nasceu o Conde de Bagnoli, cujo nome constitue puro dialeto napolitano. Também escreveu sobre Bagnoli o sr. Francisco Fettinati, que lhe dedicou 156 pp. (Cf. LXVII, pp. 161-227).

(30) A grafia de Nieuhof é muito flutuante e não parece ser a certa. Nieuhof escreveu tanto Schop como Schoppe. A grafia correta é Schkoppe, dada por Netscher (Cf. LXIII, p. 182), segundo a assinatura do coronel e encontrada em um documento oficial do Arquivo Real; seu título de nobreza era Senhor de Krebsbergen, Grana Cotzen.".

(Câmara Cascudo, 1956):

@ pg. 134, comentando o limite sul da 'PRÆFECTURA DE ÇÎRÎIĬ vel SEREGIPPE DEL REY':

"Se o limite fosse o Rio Real a pegada holandesa seria mais profunda na terra brasileira. O rio não foi limite nem o adversário se conteve.".

@ pg. 143, ainda sobre o limite sul:

"Barléu reduz a PRAEFECTURA DE CIRII VEL SEREGIPPE DEL REY às terras compreendidas entre o S. Francisco (Parapitinga) e o Vasa-Barris (Potiipeba). Seu limite ao sul não será o Rio Real como era de esperar, varias vezes assaltado, mas o Vasa Barris, na latitude Sul de 11°, 8'. ".

@ pg. 135-136 comenta a ocupação neerlandesa:

"Com as guerras, Sergipe é o no men's land. Nassau se apaixonara pelo aspecto ridente da paisagem e sugeria levas de colonos alemães, polacos e flamengos para uma vida pastoril, livre de perseguições religiosas e dedicada ao amanho da terra. A Companhia não atendeu nem era possível atender idéias alheias aos livrecões do deve e do haver nos escritórios de Amsterdam. Mesmo assim, algum holandês aparece para plantar e colher, tratar de bois e vacas, ao longo do litoral sergipano, e mesmo subindo a corrente do S. Francisco.

Em 1639 incluíram Sergipe no domínio da Companhia Privilegiada das Índias Ocidentais. Sergipe era um desertão, com os raros engenhos de fogo-morto, roçarias secas, indiada espavorida pelas descargas. Aqui e além falava-se o alemão ou o flamengo nas casas de taipa de bofete, cobertas de palha, presa com toros ou raras telhas côncavas. A toponímia mostra a raridade do colono português, expulso. Os nomes são tupis ou holandeses em sua maioria. Era região de agricultura pobre e rica em pastorícia.

...

Em julho de 1645, socorrendo os moradores do Penedo que estão em armas, o capitão Nicolau Aranha Pacheco parte do Rio Real, passa o S. Francisco, em agosto, cercando o forte "Mauritius", repelindo as sortidas e tomando-o em setembro. O forte foi destruído. Acabara o combate. Em novembro de 1646, o coronel Henderson salta em Cururipe e marcha, com 1.300 homens, para o S. Francisco, retomando os restos do "Mauritius", que abandona em março de 1647, ameaçado pelos insurgentes. Mas Sergipe, desde setembro de 1645, estava livre.".

Citação deste verbete

Autor do verbete: Levy Pereira

Como citar:PEREIRA, Levy. "A CAPITANIA DE ÇIRIII". In: BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Disponível em: http://lhs.unb.br/atlas/A_CAPITANIA_DE_%C3%87IRIII. Data de acesso: 27 de setembro de 2020.



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